QUALIDADE NAVAL!

 


Abstrato: É NECESSÁRIO QUE A MB CONCRETIZE A NECESSIDADE DE FORMALIZAR SEU SISTEMA DE QUALIDADE, NOS MOLDES DO QUE PRECONIZAM AS NORMAS ISO, SEM O QUE PERDE SIGNIFICADO, NO MÍNIMO, FALAR EM GARANTIA DE QUALIDADE.


    As tentativas para que a MB organizasse seu sistema formal de qualidade datam do início dos anos 90. Nesse início de década os princípios da qualidade foram introduzidos na MB por meio de cursos realizados na Fundação Christiano Ottoni e  por outros, mais tarde organizados no sistema de Ensino Naval, concomitantemente com a realização de palestras organizadas pela Diretor ia de Ensino da Marinha.

    É bem verdade que os conceitos sobre qualidade começaram a receber a atenção devida pelos administradores navais. Porém, como a alta administração naval, apesar de aprovar as várias publicações sobre qualidades, a maioria editadas no âmbito do Ensino, não se manifestasse quanto aos seus Objetivos para a qualidade, a Diretoria de Ensino fez publicar um jornalzinho sobre QUALIDADE NAVAL, a fim de disseminar conhecimentos sobre o assunto.

    No primeiro exemplar com o título GQT QUALIDADE NAVAL foi publicada a Carta de Princípios ao final reproduzida (Nota 1), com a finalidade de polarizar a Alta Administração naval para tal necessidade. O EMA, embora já tivesse publicado as primeiras instruções formais sobre a qualidade (ARMADAINST), mais tarde convertida em Manual de GQT, somente se deu conta da necessidade de disseminar os princípios mais elevados adequados à Marinha quando da edição da publicação DOUTRINA DA GESTÃO CONTEMPORÂNEA (EMA 131/1998).

    Após alguns anos de utilização, cremos que já se possa proceder alguns aprimoramentos na DOUTRINA  da GECON, de modo a esclarecer que existe diferença entre o princípio básico formulado  pela publicação de que:  " Garantia da Qualidade - o envolvimento da Alta Administração, dos Titulares de OM e de todos os homens com a qualidade, assumindo o compromisso com a melhoria contínua da Organização.NÃO É O MESMO QUE  QUALIDADE.

    E disso nos dá conta o próprio EMA 131  ao se referir à "2.2.2 Aspectos para Garantia da Qualidade da Gestão." quando afirma que "Para que se possa garantir a qualidade nas diversas atividades  é necessário praticá-la."  É importante observar que o EMA  se refere à QUALIDADE,  e não à GARANTIA DA QUALIDADE! (grifo nosso).

    Então, o que falta tratar na Marinha é da QUALIDADE. Em outras palavras, é da GESTÃO DA QUALIDADE. A garantia da qualidade é uma particularidade, como veremos.

    Por oportuno, nesse ensaio, relembremos a proposta de HUTCHINS, Greg. ISO 9000, São Paulo, Makron Books do Brasil, 1995, p.86:

    "a Gestão da Qualidade Total é algumas vezes definida nos termos dos princípios defendidos por W. Edwards Deming, Joseph Juran e Phil Crosby. Outras vezes é definida por meio de critérios do prêmio Malcom Baldridge. A multiplicação de definições csausa confusão. E com o ímpeto rumo ao globalismo há necessidade de uma definição e de uma estrutura da qualidade que possam viajar por meio das fronteiras e serem aceitas universalmente. Por que não usar a ISO 9000?"

    E não é outra a orientação do EMA 131!

    Aquele EMA, em 3.7 - DISPOSIÇÕES COMPLEMENTARES, estabelece que

            "3.7.1 - Normas ISO

As OM, de acordo com a aplicabilidade, principalmente aquelas da área industrial, deverão adotar as cinco normas que compõe o núcleo da ISO série 9000 e suas normas periféricas e da série 14000. A utilização dessas normas contribuirá para consolidar continuamente os avanços obtidos, além de conferirem aos seus clientes o grau adequado de confiança nos produtos ou serviços prestados."

    E como tais normas conceituam a GESTÃO DA QUALIDADE? - As normas da família ISO 9000 conceituam GESTÃO DA QUALIDADE  como comportando "todas as atividades da função gerencial que determinam a política da qualidade, os objetivos e as responsabilidades, e os implementam por meios como o do planejamento da qualidade, controle da qualidade, garantia da qualidade e melhoria da qualidade dentro do sistema da qualidade".

    Mais ainda - tais normas conceituam GESTÃO PELA QUALIDADE TOTAL "o modo de gestão de uma organização, centrado na qualidade, baseado na participação de todos os seus membros, visando ao sucesso a longo prazo, por meio da satisfação do cliente e dos benefícios para todos os membros da organização e para a sociedade."

    Assim considerada, a GESTÃO PELA QUALIDADE TOTAL TEM QUE SER LIDERADA PELA ALTA ADMINISTRAÇÃO!.

    As coisas evoluíram muito, desde os primórdios do trato sistêmico da QUALIDADE no ambiente naval. Por exemplo, no rastro da evolução recente para a QUALIDADE ganharam vulto as preocupações com o AMBIENTE, dando margem à necessidade da implantação de uma GESTÃO AMBIENTAL, com os reflexos em todas atividades e posturas navais. Tanto é que, na atualidade, se justifica tratar essas duas GESTÕES concomitantemente:

    Devem ser consideradas:

(1) A família ISO 9000 (no Brasil NBR ISO 9000, constituída  das NBR ISO 9000 a NBR ISO 9004, incluindo as Partes da 9000 e da 9004; NBR ISO 10001 a NBR ISO 10020, incluindo suas Partes;  e a NBR ISO 8402 - Gestão da qualidade e garantia da qualidade - Terminologia, 19940) e

(2) a família ISO 14000 (dedicada à gestão ambiental)

DEVE-SE acrescentar, na publicação do EMA,  a série ISO 10000, com diretrizes para auditoria de sistemas de qualidade, requisitos de garantia de qualidade para equipamentos de medição e manuais da qualidade, etc.

    Para concluir, podemos afirmar que a GECON - DOUTRINA DA GESTÃO CONTEMPORÂNEA, quando estabelece como um dos princípios fundamentais a GARANTIA DA QUALIDADE, está se referindo a um conceito completamente imerso no conceito mais amplo da GESTÃO DA QUALIDADE.

É NECESSÁRIO QUE A MB CONCRETIZE A NECESSIDADE DE FORMALIZAR SEU SISTEMA DE QUALIDADE, NOS MOLDES DO QUE PRECONIZAM AS NORMAS ISO, SEM O QUE PERDE SIGNIFICADO, NO MÍNIMO, FALAR EM GARANTIA DE QUALIDADE!

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Nota 1: frontispício do primeiro exemplar do GQT QUALIDADE NAVAL

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Dentre as várias medidas tomadas para disseminar conhecimentos e entusiamar os atores navais desde o princípio da carreira, foi introduzido, na preparação dos Guardas-Marinha, por ocasião da viagem de instrução, um pequeno curso sobre GQT.  Cremos que cedo esse curso foi descontinuado, como cedo, também, esse jornalzinho o foi, e sem um gerente do Plano de Qualidade para a MB, passamos a não contar com um veículo de disseminação das inovações que ocorreram na Gestão da Qualidade Total.

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