OLHANDO O CONJUNTO-1

out/2005                                                                                                                 VAlte (RM1) Ruy Capetti

 

UM SISTEMA DE QUALIDADE PARA A MB

 

"O que se pode inferir é quealta administração naval entende que o sistema de manutenção dos meios navais é pouco eficiente, e que tem buscado atacar o problema."

(Relatório SIGMAR – CASNAV Projeto SICMAN/1999)

 

OLHANDO POR PARTES   

            Em 1999 a Diretoria Geral de Material da MB (DGMM) tinha contratado trabalhos do Centro de Análise de Sistemas Navais (CASNAV) no sentido de determinar os pontos fracos e, a seguir, sugerir as mudanças necessárias para aprimoramento da Manutenção no Sistema de Apoio da MB.

            Ao final daquele ano, o CASNAV participou, ao Diretor Geral do Material da Marinha, que o envolvimento no trabalho conjunto estava sendo congelado em face da existência de projeto no Plano Básico ZULU, intimamente correlacionado com a sistemática de manutenção, intitulado "Avaliação do Sistema Integrado do Apoio Logístico" (sic).

            Referir-se à Sistema Integrado de Apoio Logístico (sic) acendeu-nos uma luz de alarme – a organização naval não havia, até então, digerido o conceito de APOIO LOGÍSTICO INTEGRADO, ou acabara de criar um novo sistema integrado![1]

            A leitura dos textos acima mencionados (incluindo a nota de rodapé) não é muito esclarecedora. Tais textos indicam, porém, que as informações necessárias para aprimoramento do SISTEMA DE APOIO LOGÍSTICO da MB (este, sim, estrutura organizacional existente, conforme publicações oficiais da MB) chegam ao escalão da Alta Administração Naval numa forma imprecisa.

            Contudo, as expressões e sugestões registradas no Relatório anexo ao ofício citado na nota de rodapé, sem características de abordagem global do problema, produziram alguns efeitos e o escalão decisório da Marinha passou a expedir ordens pontuais,  como se seus cumprimentos proporcionassem o bloqueio da causa-raiz dos problemas detectados na Manutenção e no Sistema de Apoio. São exemplos dessas ordens, emanadas do Ministro da Marinha:

"CON/SGM/DGMM – prover a harmonia supracitada e assegurar que os PMG sejam realizados com garantia, no que tange à disponibilidade de sobressalentes ...."

DGMM – determinar a revisão das rotinas do SMP;

SGM – obter apenas os 'pacotes' para as necessidades reais e reavaliar estoques; acelerar a implantação de um sistema de confiabilidade de custos de sobressalentes." (id. Relatório citado).

            Naquela ocasião, conforme já mencionado, em cumprimento a um memorando ministerial, o DGMM tinha contratado o CASNAV para executar a tarefa de

"desenvolver um sistema de informações global para controle das atividades de manutenção empreendidas pela MB, interligando os vários partícipes dos setores de material, operativo e de abastecimento.  ..."

            Pela análise das sugestões de quais contribuições tal SISTEMA DE INFORMAÇÕES deveria proporcionar (id. Relatório citado), quais sejam:

"Integrar e agilizar o fluxo de informações ...;

Otimizar técnicas de gerenciamento e garantia da qualidade nas OMPS-I;

Facilitar a atuação das DEs líderes... ;

Computar estatísticas de consumo de sobressalentes ...;

Propiciar análises comparativas entre ações de manutenção ...;

Propiciar análises entre a determinação de necessidades de sobressalentes ...;

Criar um banco de dados relativo à todos os aspectos da manutenção ....;

Otimizar o planejamento para execução do PM;

Aprimorar a supervisão das ações pelos ODS e COMIMSUP; etc."

cabe perguntar:  -  seria isso realmente um SISTEMA DE INFORMAÇÕES GLOBAL? E se fosse, este sistema de informações resolveria todos os problemas que afetam o Sistema de Apoio Logístico? Julgamos, definitivamente, que não!

            O signatário do Relatório citou como fonte de consulta várias assessorias, entre as quais uma estrangeira, para chegar ao final alinhavando um "POSSÍVEL PROCESSO DE SOLUÇÃO". Comparando as ordens emanadas dos escalões decisórios superiores com o alinhavo das possíveis soluções aventadas, cremos que devam ter aparecido dificuldades insuperáveis na  implementação de tal processo de solução do problema, tanto em face da natureza das  "ordens emanadas", como das inconsistências da análise. Isto configura o que em análise de sistemas definimos como um problema "mal-estruturado" e, em nossa concepção, mal resolvido.

            Por tudo isso, nossa convicção é de que as soluções sugeridas, embora pertinentes, mesmo que implementadas não eliminariam os pontos fracos que deterioram a execução da manutenção e o funcionamento do Sistema de Apoio da MB. Falta, no nosso entender, visão de conjunto do problema global de Apoio Logístico na nossa Marinha.

OLHANDO SEGUNDO O CONJUNTO

            Cremos, portanto, que será útil tentar clarear a visão macro para o problema da otimização do APOIO LOGÍSTICO na MB, mormente no setor operativo, o que o autor do presente artigo procurará fazer, segundo sua visão particular. Enfatizamos o fato de que, embora polarizado para o setor operativo, com vistas a maximizar a disponibilidade operativa dos meios navais (navios, meios de fuzileiros navais e meios aéreos navais, sejam sistemas ou equipamentos), as idéias a seguir expostas se aplicam à toda a MB.

            Os fundamentos teóricos que embasam as presentes idéias estão consubstanciados em inúmeros artigos publicados ao longo do tempo de atividade no serviço naval, bem como depois, quando na reserva, continuamos a colaborar por meio das poucas revistas que circulam na Marinha (RMB, RCN, Periscópio ) e, mais atualmente, pela Internet.[2]

            Antes de desenvolver nossas idéias, recordemos alguns conceitos básicos que lhes dão consistência:

            1. A Marinha é  uma INSTITUIÇÃO NACIONAL PERMANENTE destinada, primordialmente, a defender a Pátria. É, portanto, um SISTEMA inserido no meio ambiente  NACIONAL. Enfoque dos assuntos pertinentes devem ter, portanto, a característica de sistêmico.

            Como é exigência nacional o desenvolvimento com QUALIDADE, existindo até um programa especial para essa finalidade (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade PBQP), é óbvio que o esforço de condução dos negócios da Marinha devam ter seguimento segundo o enfoque sistêmico da QUALIDADE. Portanto, a MB deve se administrar segundo todos os aspectos da QUALIDADE. Eis, , quando aparece o elo entre o conceito nacional e a determinação dos altos escalões da MB, como manifesta na publicação  A Gestão Contemporânea[3], onde estão definidas regras para a implementação da QUALIDADE  no âmbito naval. Sua leitura freqüente é altamente recomendável, principalmente pelos planejadores navais.

            Como conclusão, entendemos que a MB deve, então, constituir formalmente seu SISTEMA DE QUALIDADE  (por outros autores também referido como CONTROLE DA QUALIDADE TOTAL[4]); a sua ORGANIZAÇÃO PARA A QUALIDADE e gerenciá-los adequadamente. E por meio das funções básicas da qualidade, quais sejam, a GARANTIA DA QUALIDADE[5]  e o CONTROLE DA QUALIDADE, conduzir suas diversas e peculiares atividades.

            2. Sem querer entrar em maiores considerações do que seja um sistema, relembremos apenas que seus elementos são:

- componentes (parte operativa do sistema, consistindo de entradas, processos e saídas);

- atributos (propriedades ou manifestações discerníveis dos componentes, conhecidos como parâmetros) e

- relacionamentos (elos de ligação entre componentes e atributos).

            Adotamos aqui a definição, para efeito de entendimento universal no seio naval, qual seja: "sistema é um conjunto de componentes inter-relacionados que funcionam tendo em vista um objetivo comum.", conjunto este que tem que ter as seguintes propriedades[6]:

  1. as propriedades e comportamento de cada componente do conjunto tem efeito sobre as propriedades e comportamento do conjunto como um todo.
  2. as propriedades e comportamento de cada componente do conjunto dependem das propriedades e comportamento de pelo menos um outro componente do conjunto.
  3. Cada possível subconjunto de componentes tem que ter as duas propriedades acima; os componentes não podem ser divididos em subconjuntos independentes.

            Concluindo, enfatizamos que cada subconjunto que existir no conjunto naval, deve seguir as regras acima. Em outras palavras, para cada subconjunto no conjunto naval (organização, departamento, divisão, diretoria, setor, projeto, etc) as regras têm que ser as mesmas que as regras do conjunto hospedeiro. Se neste existir um sistema de qualidade, qualquer subconjunto deve se submeter às mesmas regras da qualidade.

            3. O terceiro ponto fundamental é o entendimento de que as atividades navais são conduzidas segundo um permanente ciclo de Planejamento, Execução, Controle e Correção da ação planejada (PDCA), e que não existe controle sem padronização (J.M. Juran).

            Segundo os conhecimentos amplamente disseminados sobre a gestão da qualidade, a utilização de padrões (formulação de procedimentos) é o próprio gerenciamento por sistemas, ratificando o primeiro ponto fundamental.

            Concluindo, entendemos que a MB tem que se esmerar em estabelecer seus padrões (disseminando com freqüência os procedimentos para cada atividade desenvolvida), pois tal dará consistência à administração naval, em todos os níveis de execução, e permitirá o amplo controle do andamento das ações planejadas, permitindo correção de desvios o mais cedo possível. Em outras palavras, o sistema de padrões da MB se constituirá em seu próprio sistema de informações. Portanto, é inevitável que ela desenvolva um bom conjunto de padrões, uma vez que o progresso em Gestão da Qualidade será praticamente impossível   sem avanços na padronização.[7]  

          Relembrados os citados fundamentos, passemos ao tópico seguinte.

           Um dos componentes no sistema naval que nos interessa neste texto é o MATERIAL (englobando produtos e serviços), cuja Gestão (temos nos referido como Gerência do Material) deve ser muito bem planejada, com uso apropriado aos fins a que se destina. A Gestão ou Gerência do Material deve, pois, ser muito bem definida, e sobre suas atividades específicas deve ser exercido constante CONTROLE de modo a se alcançar um estado de aprimoramento contínuo e constante.  

          Em conseqüência do exposto o MATERIAL da Marinha deve ser OBTIDO segundo processos que garantam sua eficácia e otimização sob todos os aspectos. Estamos falando, então de um macro-processo freqüentemente referido como PROCESSO DE OBTENÇÃO.

            Tomando com modelo Marinhas avançadas, elas classificam nesse processo, normalmente, TIPOS DE OBTENÇÃO, que passam pelas seguintes prioridades, da maior para a menor:

            - obter em primeiro lugar, se possível, PRODUTOS COMERCIAIS (COTS)[8];

            - em seguida, PRODUTOS COMERCIAIS MILTARES (MOPS)[9];

            - segue-se a prioridade de MODIFICAR[10] os sistemas existentes; e

            - finalmente, quando nenhuma das soluções anteriores for possível, partir para o DESENVOLVIMENTO DO MATERIAL[11].

            Devemos compreender a OBTENÇÃO como um macro-processo que se apresenta como um complexo programa composto de inúmeros e variados insumos, centenas de processos pertinentes e os mais variados produtos ou serviços (com vistas à minimização de prazos e custos e maximização da qualidade), devendo ser todos gerenciados INTEGRADAMEN TE, pelo que justificamos a denominação freqüentemente encontrada para as equipes que o fazem – EQUIPES INTEGRADAS DE PRODUTO (Integrated Product Teams IPT)[12].

            O sucesso de um PROGRAMA dessa natureza é comumente alcançado pela aplicação conjunta dos conceitos da ENGENHARIA DE SISTEMAS, da GERÊNCIA DE PROJETOS  e da LOGÍSTICA DE OBTENÇÃO.

            Para garantir a obtenção concomitante do APOIO LOGÍSTICO ao sistema complexo em desenvolvimento e construção, no setor de defesa destaca-se um processo particular que merece especial referênciaprocesso de APOIO LOGÍSTICO INTEGRADO (ALI). Fortemente consubstanciado nos elementos da logística, este processo permite aos executores de um programa de obtenção (se for do tipo desenvolvimento, permite até a otimização do projeto) desenvolverem tanto o sistema primário como o apoio logístico requerido ao longo de todo seu ciclo de vida projetado.

            Voltando aos tipos de obtenção referidos, para cada um selecionado será estabelecida um estratégia pertinente, mas, qualquer que seja, os conceitos da qualidade sempre deverão estar subjacentes.

            É importante enfatizarmos a principal característica da LOGÍSTICA DE OBTENÇÃO: o fato de que , principalmente partindo da obtenção pelo tipo menos desejável (DESENVOLVIMENTO), por razões óbvias (e o qual muito freqüentemente está vinculado à obtenção de sistemas complexos - navios, tanques, aviões, etc), deverá haver uma preocupação constante, durante os estágios de concepção, preliminar e avançado de desenvolvimento do projeto de obtenção, em se definir e adquirir o sistema de apoio concomitantemente, por meio do processo acima mencionado – o ALI.

            Ao desenvolver o processo do ALI, tantas serão as análises (conjunto conhecido como Análise de Apoio Logístico) e conclusões a respeito da otimização do APOIO LOGÍSTICO ao meio desejado, e tão úteis serão os dados pertinentes, tanto naquele momento, como para todo o resto do ciclo de vida do sistema sendo obtido, mormente no seu período de utilização (muito maior que o de construção), que esses dados deverão ser registrados e serem capazes de recuperação, para aprimorar o controle sobre o largo período de utilização do sistema (em ferramenta conhecida como Banco de Dados decorrentes da Análise de Apoio Logístico)[13] .

            Mas como estabelecer uma estrutura otimizada de OBTENÇÃO  de material de defesa ( e porque não, outros materiais?) na MB?

O PRIMEIRO PASSO DE UMA LONGA CAMINHADA

            O primeiro passo para se estabelecer uma estrutura racional de obtenção de material (de defesa, em especial), depois de se adquirir os conhecimentos necessários, talvez seja pelo estabelecimento formal do SISTEMA DE QUALIDADE na Marinha, e por suas conseqüências para os setores tanto do material, quanto para o operativo (mas não exclusivamente para este!).

             Recordando o segundo conceito fundamental linhas atrás discutido, qualquer que seja o processo desenvolvido no âmbito naval, ele deve atender às gestões existentes no sistema hospedeiro. Então, o processo de OBTENÇÃO, materializado por meio de um projeto de obtenção de determinado sistema de armas, inserido no ambiente naval, deverá ter as Gestões específicas correspondentes às do sistema superior. em outras palavras, se o sistema hospedeiro abrigar um sistema de qualidade, este projeto de obtenção deve contar com Gestão específica de Qualidade.

            A formalização do SISTEMA de QUALIDADE na MB  acarretará que os clientes do MATERIAL sejam obrigados a desenvolver aquilo que se convencionou chamar MANUAL DA GARANTIA DE QUALIDADE. Portanto, os clientes do setor operativo terão, também, que elaborar, cada um,  seu Manual de GARANTIA DA QUALIDADE, o qual proverá (entre várias outras coisas) para que todos os elementos obtidos pelo processo do ALI sejam considerados durante todo o período de utilização dos sistemas navais de defesa otimizadamente e em consonância com o que foi obtido no processo de construção e/ou fabricação dos diversos sistemas.          

O MANUAL DE GARANTIA DE QUALIDADE DO SETOR OPERATIVO

Em artigo[14] de título UMA POLÍTICA DE QUALIDADE PARA A MB, procuramos resumir o nosso pensamento a respeito da necessidade de formalizar e de como seria o SISTEMA DE QUALIDADE da MB, e o alcance da GARANTIA DA QUALIDADE relativa à função logística Manutenção..

Voltamos a insistir na necessidade da implantação e implementação de tal SISTEMA em artigo intitulado GARANTIA DE QUALIDADE NA OPERAÇÃO DE NAVIOS DE GUERRA[15], valorizando a integração das atividades da Garantia de Qualidade nas atividades tanto da construção naval como na função logística manutenção. Neste último artigo mencionado sugerimos os procedimentos e ações para implantar o referido sistema.

Observa-se, pela leitura dos textos acima citados, que a definição da política, a necessidade de padronização (estabelecimento de procedimentos padronizados), a grande maioria dos conceitos fundamentais, as definições e a fraseologia, a existência de documentação técnica, etc. são pontos comuns à ambas as atividades, tanto de construção, como de manutenção. E não poderia ser diferente, uma vez que a construção naval é a origem de todos as atividades de manutenção que se aplicam a um sistema obtido.

Um importante ponto enfatizado nesses mesmos artigos é a necessidade de adquirir sólida cultura (por meio de cursos) sobre as disciplinas envolvidas, sem o que nada se poderá aprimorar.

Lembramos, no primeiro texto mencionado (nota de rodapé 14), a dependência desse SISTEMA DE QUALIDADE ao sistema Nacional de Metrologia (SINMETRO), o que seria factível, na ocasião em que foi escrito o artigo, por meio de representantes do então Estado Maior das Forças Armadas (EMFA) em ligação com o sistema nacional.

            Resumidamente, o que enfatizamos nesse primeiro passo é a necessidade do Comandante da Marinha estabelecer uma POLÍTICA DE QUALIDADE  para a MB como um todo, fixando OBJETIVOS DA QUALIDADE,  o que dará origem a formação do SISTEMA DE QUALIDADE, a  ORGANIZAÇÃO PARA A QUALIDADE  e a prática da GARANTIA DA QUALIDADE em todo o universo naval, por meio do  PLANEJAMENTO DA QUALIDADE[16]; do CONTROLE DA QUALIDADE[17] e das AUDITORIAS de QUALIDADE[18], por exemplo, nas atividades industriais de manutenção e reparo, executados pelas OMPS-I do setor operativo, no nível Esquadra..

OS PASSOS SEGUINTES E A ELIMINAÇÃO DO ELO PERDIDO

            Estabelecido o SISTEMA DE QUALIDADE da MB, os passos seguintes se desenrolarão com naturalidade. Um deles será o estabelecimento de instruções específicas pelo órgão de direção geral, do que resultará a elaboração de MANUAIS DE GARANTIA DE QUALIDADE por cada um dos clientes internos do SISTEMA DE QUALIDADE DA MB.

            No caso particular do MATERIAL, e em especial tratando-se do Setor Operativo, podemos sugerir até alguns tópicos para compor o MANUAL  de cada força tipo da Esquadra. Tendo em vista esses tópico (entre outros), cada divisão organizacional da Esquadra elaboraria, por tipo, seu Manual, por exemplo, MANUAL DE GARANTIA DE QUALIDADE DA FORÇA DE SUPERFÍCIE[19], composto dos seguintes capítulos:

·    organização e atribuições de responsabilidades organizacionais na qualidade;

·    níveis de essencialidade do seu material em particular;

·    controle dos processos e de fabricação;

·    requisitos do material;

·    procedimentos de testes e de inspeção;

·    treinamento nas qualificações do pessoal;

·    desvios de especificação;

·    calibração;

·    auditorias;

·    ações corretivas;

·    documentação de garantia da qualidade;

·    material e sistemas de armamento;

·    controle de re-entrada de material; e outros mais como necessário.  

            Estabelecido o SISTEMA DE QUALIDADE DA MB, será restabelecido o elo de ligação entre os estágios de desenvolvimento dos projetos/construção  e o largo período de utilização dos sistemas de defesa obtidos, pois todos os dados levantados, os equipamentos/materiais adquiridos e a infra-estrutura estabelecida em decorrência do desenvolvimento do processo do ALI, materializados no processo de obtenção, serão plenamente utilizados por todo o período de utilização dos sistemas em pauta.

            Urge, pois, ser implantada e implementada uma organização sistêmica de qualidade (estrutura, procedimentos e atribuição de responsabilidades), a fim de que sejam proporcionadas as ferramentas a todos os implicados com as atividades industriais de construção, manutenção e reparo, que permitam conduzí-las, dentro dos prazos estabelecidos, com a qualidade desejada, tudo isso a um custo otimizado. Sobrarão mais recursos, portanto, para atender às operações navais, elevando cada vez mais o grau de aprestamento e operacionalidade da MB.

Ainda que decorridos mais de vinte, ainda temos a esperança de testemunhar o amadurecimento e a concretização das idéias de aperfeiçoamento das instituições navais. Pode ser que o novo milênio contemple o tão almejado SISTEMA DA QUALIDADE da MB (afinal temos mais 1000 anos pela proa!).

***

[1] Ofício 0533 de 22/Nov/1999 do CASNAV  Ao: Exmo Sr Diretor-Geral do Material da Marinha Assunto: Relatório do projeto SICMAN. Este Relatório se declara complemento de um inicial transmitido ao EMA pelo ofício 297 de 19/07/99 – e trata, em realidade,  do SISTEMA DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS PARA A MANUTENÇÃO NA MB – SIGMAR. Talvez o Relatório citado como inicial esclarecesse o que vem a ser o tal sistema integrado.

[2] Em http://paginas.terra.com.br/relacionamento/submarinosdobr/

Icaodois.htm (selecionar os últimos Exemplares)

[3] EMA 131 – GESTÃO CONTEMPORÂNEA

[4] Como explica Falconi. em Controle da Qualidade Total (no estilo japonês) CQT. No Japão  controle significa administração, gerência. CQT (MB) significa, pois, Gerenciar Rotinas (manutenção dos padrões), Melhorias (aprimorar os padrões) e o Crescimento do Ser Humano na Marinha.

[5] Garantia de Qualidade (no Projeto; no Processo de Construção/Fabricação; na Utilização do sistema/equipamento) compreende o Planejamento da Qualidade; o Controle da Qualidade; e a Auditoria da Qualidade.

[6] Blanchard, Benjamin S., Fabrycky, Wolter J. Systems Engineering and Analysis.  Prentice-Hall, 1981

[7] Recomendamos a leitura da obra Qualidade Total Padronização de Empresas. Campos, Vicente Falconi. Fundação Christiano Ottoni. 1992.

[8] COTS de Comercial-Off-The Shelf – produtos encontrados diretamente no comércio, tendo aplicação tanto no meio civil como no meio militar.

[9] MOTS de Military-Off-The-Shelf, são os conhecidos também como "Non Developmental Items NDI". São itens de material de natureza comercial mas projetados exclusivamente para agências governamentais.

[10] MODIFICAR se refere genericamente a modernizar, revitalizar, efetuar overhaul, etc

[11] Pesquisar, Projetar, Desenvolver, Construir/Fabricar, etc.

[12] Equipes Integradas de Produto (IPTs) são os meios para realização do conceito de Desenvolvimento Integrado de Produtos e Processosprocesso gerencial que integra todas as atividades desde a concepção do produto  até sua utilização e apoio em campo. O conceito decorre da Engenharia Concorrente e a filosofia de Gerenciamento da Qualidade. Mil-HDBK-502 Acquisition Logistics Seção 9.

[13] Referido comumente como Logistics Support Analysis Record (LSAR)

[14] RMB, 2tri/1986.

[15] RMB, 4tri/1990.

[16] O preparo de um PLANO FORMAL para a GARANTIA DA QUALIDADE no setor Operativo inclui, como conteúdo mínimo, normas para o acompanhamento das atividades (manutenção e reparo); normas para inspeções e testes; e registro da qualidade do produto final, segundo o enfoque do utilizador (feedback).

[17] Tomada de ações corretivas sobre a Qualidade

[18] A execução de AUDITORIAS serve para determinar a adeqüabilidade dos planos e se estão sendo realmente executados.

[19] MANUAL DE QUALIDADE abrange os planos formais, a definição de responsabilidades, a organização responsável pela qualidade, com fluxogramas e organogramas correlatos, procedimentos a adotar, etc.