SUBMARINOS

  1. O que é um submarino.
  2. Evolução histórica.
  3. Todos os submarinos brasileiros.

Subclasse Humaita





1. O que é um submarino.

O submarino é um navio de guerra projetado com características especiais que permitem que mergulhe e opere nas profundezas do mar, com o propósito de manter-se invisível às buscas de seus oponentes, beneficiando-se de um dos mais importantes princípios da guerra, que é a surpresa.
Assim, o submarino torna-se uma poderosa arma de guerra, essencialmente ofensiva, que pretende negar o uso do mar aos opositores.

Seus armamentos característicos são os torpedos, mísseis táticos ou estratégicos de longo alcance, minas e mergulhadores de combate. Assim armado, o submarino pode executar uma variedade de missões de guerra, sendo classificados em função do tipo básico de propulsão, em convencionais ou nucleares; e quanto ao emprego, em submarinos de ataque, submarinos lançadores de mísseis balísticos, submarinos especiais e submarinos auxiliares.

Os principais equipamentos sensores dos submarinos são os sonares, que permitem a localização, pelo som propagado no mar, dos obstáculos submersos e dos demais navios e submarinos em sua vizinhança, contribuindo para a navegação segura, ainda que se deslocando no meio líquido praticamente na escuridão.

Arranjo interno dos compartimentos de um submarino convencional:

Arranjo interno

O submarino convencional

O primeiro compartimento(1) da figura é chamado de Torpedos Avante. Nele estão localizados os tubos lançadores de torpedos de vante.

O compartimento seguinte(2), chamado de Baterias Avante, aloja as baterias de acumuladores, que fornecem energia para a propulsão quando o submarino estiver mergulhado.

O compartimento 3 é chamado de Manobra, e nele estão localizados os comandos principais de controle do submarino.

Os dois compartimentos (4) são os compartimentos de Máquinas, e abrigam os motores diesel principais, os geradores elétricos que produzem energia para a propulsão e para a carga das baterias de acumuladores, além dos demais equipamentos de controle de máquinas.

O quinto compartimento, ou MEP (Motores Elétricos da Propulsão), abriga os controles elétricos da propulsão e os motores elétricos da propulsão.

O compartimento 6 é o compartimento de torpedos ARé, abrigando mais torpedos para lançamento pelos tubos da popa.

2. Evolução histórica.

A idéia de construir um navio que pudesse imergir, operar em imersão e retornar à superfície, é muito antiga. Entretanto, embora os conhecimentos não permitissem materializar um protótipo que pudesse atender tais características, no decorrer dos séculos vem sendo desenvolvidos experimentos, em função de novas tecnologias que, pouco a pouco, levam ao aperfeiçoamento dos submarinos, navios capazes de imergir, mas de duvidosa capacidade de operar em imersão e problemática possibilidade de retorno à superfície.

É desta forma que a história registra , entre 1771 e 1775, a construção do fracassado The American Turtle, estranho veículo submarino, feito em madeira, e manobrado por um homem que acionava manivelas dispostas horizontal e verticalmente, para obter controle quando submerso. Durante a Guerra da Independência dos EUA, em 1776, este primitivo aparato foi usado para a colocação de uma carga explosiva sob o casco da fragata britânica Eagle, sem, contudo, lograr êxito.

Entre 1848 e 1850, Wilhelm Bauer construiu um barco submarino com chapas de ferro, sustentadas por cavernas do mesmo material, e movido a hélice, acionada manualmente. Devido às grandes proporções, exauria rapidamente as energias do seu operador, constituindo-se em outra tentativa falha.

Em 1863 foi lançado, em Rochefort, o submarino Plongeur, de 450 tons de deslocamento e 140 pés de comprimento. A propulsão era obtida pela força de um motor de cerca de 80 HP, acionado a ar comprimido. Dotado de explosivos à guiza de armamento era, contudo, de difícil controle em imersão, e apesar de se constituir num avanço do desenvolvimento de tal tipo de navio, possuia pequeno raio de ação e baixa velocidade, razão pela qual o governo francês abandonou o projeto em 1874.

1866 e 1877 são anos de novos experimentos, por parte de Halstead, que construiu o submarino que denominou The Inteligent Whale, e por parte de Drzewiecki, cidadão russo que construiu, em Odessa, um submarino movido por um sistema de propulsão à base de pedais.

No período de 1880 a 1900, a invenção do acumulador elétrico, por Planté, e o aperfeiçoamento dos elementos de acumuladores, vem facilitar a solução do problema da propulsão submersa, que até então limitava os inventores. A segunda Revolução Industrial, ocorrida naquele século, provê melhoramentos de toda ordem, mercê das novas tecnologias que vão surgindo. Vários modelos de submarinos são desenvolvidos e testados, e embora não apresentem solução definitiva para o problema do controle em imersão, cada vez mais se aproximam da solução aceitável. São alguns exemplos o Resurgam e o Nordenfelt, de Garret, o submarino de Waddington, e o Holland, de J. Phillip Holland, nos EUA; os submarinos Goubet, o Gymnote de Gustave Zedé, e o Narval, de Maxime Laubeuf, na França, entre vários outros.

Mas é somente a partir de 1900 que, mais que um submarino puro, de restrita ou mesmo nenhuma possibilidade de propulsão na superfície, se firma o conceito do submersível, capaz de navegar grandes distâncias na superfície, a fim de demandar a área de operações, onde mergulharia, passando a operar em completa imersão. Surgiram, assim, construções com verdadeiro valor militar, uma vez que o problema referente aos torpedos fora resolvido, de submersíveis tipo Holland, Whitehead e Lake, nos EUA; o tipo Laubeuf, na França; o tipo Laurenti, na Itália, e o tipo Germania, na Alemanha.
No Brasil, apesar de não termos construído nenhum tipo de submarinos, tivemos precursores que acrescentaram soluções que contribuíram para o aperfeiçoamento dos submarinos, notadamente Luis Jacinto Gomes, Luis de Mello Marques e Emílio Júlio Hess, a ponto de serem considerados inventores, como muitos outros estrangeiros.

3. Todos os submarinos brasileiros

Os primeiros submersíveis adquiridos pelo Brasil foram construídos na Itália. Da classe Foca, sua construção foi encomendada em conseqüência do Programa Naval de 1906. Chegaram ao Brasil em 1914, recebendo os indicativos de F1, F3 e F5. Os FF, como passaram a ser conhecidos, tiveram, ao longo de sua vida, atuação linitada ao treinamento e adestramento das tripulações, além da manutenção do material, o que veio proporcionar sólidas bases para o desenvolvimento das atividades com submarinos na nossa MB. Iniciada a construção na mesma época, chegou ao Brasil, em 1917, o Tênder Ceará, navio especialmente projetado para dar apoio a esses submersíveis.Os FF deram baixa em 1933.

Em 1929, também construído em estaleiro italiano para nossa Marinha, chegou ao Brasil o submarino de esquadra Humaytá, realizando dois feitos memoráveis para a época: atravessar o Atlântico até o Rio de Janeiro sem escalas, depois de zarpar de Spezzia, e mergulhar a 100 metros de profundidade, o que então se tranformou em recorde mundial.

Em 1937 renovamos nossos submarinos, pois a classe F foi desativada por problemas materiais. Chegaram ao Brasil os submarinos Tupy, Timbira e Tamoio, uma vez mais de construção italiana. Durante a Segunda Guerra Mundial, em longas e extenuantes patrulhas ao largo de nosso litoral, esses submarinos da classe T contribuíram para manter a liberdade de nosso comércio, pelo intercâmbio com outras nações, tão necessária à sobrevivência do país.

Após longo intervalo, em 1957 a nossa Força de Submarinos recebeu os primeiros submarinos de origem da América do Norte, da classe Fleet type, O Humaitá(S14) e o Riachuelo(S15). Construídos durante a Segunda Guerra Mundial e empregados na campanha do Pacífico contra o Japão, foram cedidos à Marinha do Brasil para substituição dos da classe T. Trouxeram como avanço tecnológico o TDC (Torpedo Data Computer), um sistema de direção de tiro de torpedos eletromecânico baseado em um computador analógico.

Seguiram-se, em 1963, as cessões dos submarinos americanos que aqui receberam os nomes de Rio Grande do Sul(S11) e Bahia(S12). Trouxeram como novidades, entre outras, a possibilidade de executar ataque sonar, isto é, a possibilidade de atacarem os alvos sem a necessidade do uso dos periscópios, em maiores profundidades que a cota periscópica.

No final dos anos 60 e início da década dos 70 foram encomendados três submarionos ingleses da classe Oberon, que receberam os nomes de Humaitá(S20), Tonelero(S21) e Riachuelo(S22). Esta classe e os submarinos de origem dos EUA seguintes foram os primeiros dotados de esnórquel, sendo que os da classe inglesa Oberon introduziram o sistema de direção de tiro com computação digital de dados e o comando central unificado para as manobras dos lemes vertical e horizontais, conhecido como controle de governo e de profundidade, o CONGOP.

Praticamente ao mesmo tempo das construções inglesas, a Marinha dos EUA cedeu ao Brasil 7 unidades da classe GUPPY (Great Underwater Propulsion Power), nominadamente os Guanabara(S10), Rio Grande do Sul(S11), Bahia(S12), Rio de Janeiro(S13), Ceará(S14), Goiás(S15) e Amazonas(S16).

Nos tempos modernos, e na medida em que vão dando baixa as unidades mais antigas, em atenção ao Programa de Reaparelhamento da Marinha, o Brasil mandou construir(1984) na Alemanha o S Tupi (S 30), tipo IKL-209-1400 (1980), que dá nome à classe, enquanto começou a construir, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) o S Tamoio (S 31), lançado ao mar em novembro de 1993, e já em operação(é o primeiro submarino construído no Brasil), e os S Timbira (S32) e S Tapajó (S33) (este já batizado aos 5 dias de junho de 1998, por ocasião do seu lançamento), todos da mesma classe.
 
images/s30reduz.jpg (12007 bytes) O S Tupi, tipo IKL-209-1400 (1980), que dá nome à classe, tem, como principais características o comprimento total de 61,20 m; o diâmetro interno de 6,20m e um calado médio de 5,60m.

Com essas características, desloca na superfície 1453t e em imersão 1590t.

É manobrado por uma tripulação de 36 submarinistas, e sua propulsão é do tipo diesel-elétrica.
 

Nos dias atuais segue em construção, no AMRJ, o S Tikuna (S34), cujo início se deu em maio de 1996, estando prevista sua incorporação à Esquadra para março de 2005.
 

A construção acima termina o ciclo de encomendas de novos submarinos, e todo o investimento realizado no Brasil para consolidar uma tecnologia conseguida a duras penas, a de construção desse tipo de navio, começará a se deteriorar.  As perdas para o nosso país serão inestimáveis, calamitosas mesmo, se se concretizar o descaso das altas autoridades responsáveis pela política de ciência e tecnologia, e dos mais altos dirigentes do país, interrompendo esse ciclo de construções.


Por isso, além do diuturno esforço no sentido de convencer a sociedade da necessidade de dar seqüência ao programa de construção de submarinos, estritamente dentro dos limites orçamentários  impostos, paralelamente vem a Marinha do Brasil envidando significativos esforços para a construção do submarino nuclear brasileiro, de projeto inteiramente nacional. Nesse sentido, uma das etapas técnicas mais difíceis do projeto, a do enriquecimento do urânio, que servirá como combustível para o reator da propulsão, já foi vencida.

O trabalho de esclarecimento à sociedade brasileira da necessidade de se dominar à tecnologia de construção de submarinos com propulsão nuclear cabe também a nós, profissionais do assunto. Há muitos segmentos da sociedade, ou individuos isolados, que fazem campanha contra tal desenvolvimento, como mostram vários sites sobre energia nuclear.

Sob esta ótica foi produzido e editado o documento Submarino de Propulsão Nuclear, cujo "público alvo é a sociedade civil (políticos, cientistas, professores, industriais, funcionários e a opinião pública em geral), os militares de outras forças e a oficialidade naval jovem, que algum dia conduzirá uma Marinha coerente com o futuro do Brasil (Revista Marítima Brasileira, maio de 1988)".

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