OS SUBMERSÍVEIS CLASSE F

Os submersíveis da classe F (Foca) - F1, F3 e F5, foram idealizados pelo engenheiro Cesare Laurenti, e construídos no estaleiro Fiat-San Giorgio, Torino-Spezia, Itália, sendo entregues às autoridades brasileiras nos anos de 1913 e 1914, em cumprimento ao Programa de Construção Naval  de 1904, de autoria do então Ministro da Marinha Júlio Cesar de Noronha, que previa a aquisição de três submersíveis.

Os nossos classe F prestaram inestimáveis serviços à Marinha, ao longo dos vinte anos de serviço ativo. Ao longo de sua existência foram usados, basicamente, para adestramento da tripulação, além da manutenção dos seus equipamentos. A sua contribuição maior, além da iniciação à arte submarinista no Brasil, foi o insubstituível e inquebrantável espírito de classe a que deram origem, congregando os seus orgulhosos e abnegados filhos numa família rica em tradições. 
 
Os submersí- veis classe F foram usados, basicamente, para adestramento da tripulação, além da manutenção dos seus equipamentos. 

Testemunho do fabuloso "espírito de grande família" que se consolidou, aos 30 de dezembro de 1933, a bordo do Tender Ceará, atracado ao cais norte do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, os submarinistas assistiram, consternados, ao desfile naval da baixa dos nossos inesquecíveis e pioneiros submersíveis F1, F3 e F5, os quais, em coluna, prestaram continência ao MM Almirante Protógenes Pereira Guimarães, sob o comando dos seus primeiros comandantes. Na ocasião era o comandante da Flotilha de Submersíveis o Capitão de Fragata Adalberto Landim.

Esses submersíveis operavam, na maioria das vezes, no interior da baía de Guanabara. Todavia, as comissões em flotilha eram realizadas, amiúde, na baia da Ilha Grande e nas áreas de Cabo frio e de São Sebastião, sempre com o apoio de navio de superfície (além do Tender Ceará, o Tender Cuiabá, a Torpedeira Goyaz, e o Rebocador Laurindo Pita). O único porto visitado pelos nossos submersíveis, de que se tem notícia, foi o de Santos.

Em 1914 foi instituído o Prêmio Independência, oferecido pelo Capitão Tenente Lemos Basto, ao navio que maior número de acertos obtivesse no lançamento de torpedos, de acordo com o regulamento para tal criado. O troféu alusivo, um brasão em prata de lei, decora hoje a galeria de peças históricas do edifício Almirante Felinto Perry, sede do Comando da Força de Submarinos. Nele, seriam inscritos os nomes dos submersíveis que a cada ano vencessem a prova. O F-5 tornou-se o tradicional vencedor, ganhando-o por cinco vezes.

A tradição desportista de nossos submarinistas e mergulhadores remonta à época da Flotilha de Submersíveis (chamada a primitiva, pelo velho Lucas, dispenseiro do F-3 e diretor do "Flor do Abacate"), inicialmente constituída pelos submersíveis classe F, quando seu pessoal brilhava nas competições e regatas nas quais tomavam parte. Apoteótica, podemos dizer, foi a vitória conquistada em 1922, na regata comemorativa do centenário da Independência, pelo escaler a quatro remos, guarnecida pelos oficiais da Flotilha Attila Aché, Viana Sá, Armando Belford, Fernando Cochrane e Renato Guillobel, em disputa contra representantes de diversos países.

Aos cascos inermes e sem vida daqueles submersíveis, reservou-lhes o destino a função de alicerçar os pilares da ponte de escaleres da Escola Naval, esta, transferida, em 1938, da ilha das Enxadas para a Ilha de Villegagnon.

Hoje, o Museu Naval e Oceanográfico da Marinha ostenta, em seu acervo, um belíssimo modelo, em escala, de submersível da classe F, com riqueza de detalhes de convés e de acessórios de casco.


Principais características dos submersíveis da classe F

comprimento - 45,15 mts

boca - 4,20 mts

calado - 3 mts

deslocamento - 250/370 tons

altura da borda livre - 1,15 mts

velocidades máximas (sup/imer) - 14,8/9 nós

raio de ação (superfície) - 1.685 milhas a 8,5 nós

raio de ação em imersão - 100 milhas a 4,5 nós

profundidade de teste - 40 mts

tripulação - 23 homens (dos quais 2 eram oficiais)


O arranjo da propulsão era do tipo diesel-elétrico. Possuíam 2 eixos (2 x 3 pás), 2 motores diesel (325 HP, 2 tempos, 6 cilindros cada), 2 motores elétricos (260 HP cada) e bateria de acumuladores com 240 elementos dividida em quatro seções, sendo a capacidade total das baterias de 2.000 AH, na reite de descarga de 10 horas. O sistema de governo era composto de um leme vertical duplo, manobrado, manualmente, de 3 estações distintas, e 2 pares de lemes horizontais, disparados, operados e recolhidos também manualmente.

O armamento consistia de 2 tubos de lançamento avante, de 18 polegadas, para uma dotação de 4 torpedos Whitehead, disparados a ar comprimido.

Possuíam dois periscópios do tipo Galileu, construídos em Florença, ambos recolhíveis de um metro, e com escala telemétrica e graduações azimutais. O de vante, 6 mts de altura, do tipo combinado(monocular e panorâmico) com aumento de 1,25x e campo de visão de 50 graus; o de ré, 5,60 de altura (monocular, de visão direta), com aumento de 2x e campo de visão de 30 graus.

A estação radiotelegráfica, do tipo Marconi, possuía transmissor de 0,5 KW de potência, com alcance de 30 milhas. A estação de sinais submarinos era composta de um sino pneumático-tranmissor, e de 4 fones receptores.

Os navios possuíam quilha de lastro de chumbo(quilha de segurança), 4 tanques de lastro (46 tons cada), um tanque de compensação(4,8 tons), 2 tanques de trimagem(0,8 tons cada), 2 tanques de óleo combustível, internos ao de óleo combustível líquido (11 tons), 2 tanques de óleo lubrificante(0,98 tons cada), um tanque de compensação de torpedos(1,8 tons) e 2 de compensação de torpedos de reserva(0,65 tons cada).

                                                     (Fonte: SDGM)
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