Iça o Dois! Número 9                       Out/ 2003

"SINAL AMARELO

Os jornais e noticiários da TV mostraram mais um "domingo de cão" nos atendimentos de emergência dos hospitais públicos do Rio. Chocou-nos a imagem da senhora que morreu às portas de um deles - buscava, inocente, um socorro médico - e cujo corpo ficou, horas a fio, atirado ao solo. Exposto à indiferença de todos e à incompetência e má-vontade de quem ganha para servir à população, serviu como eloqiiente indicador de todo um estado de coisas, que se reflete também na sinistra e persistente ronda da morte entre os doentes mentais da Colônia Juliano Móreira.

Também significativa foi aquela insólita fila de milhares de pessoas, muitas idosas e enfermas, ao sol inclemente, para que se desse cabo a uma absurda decisão de pagar, em espécie, num campo de futebol, uma parcela dos meses em atraso devidos ao funcionalismo. Na origem desses dois episódios e de muitos outros mais, um fato iniludível: o desprezo pelo povo, que só parece contar alguma coisa em época de eleições.

O pior é que fatos de tal ordem, que, em outros lugares, poderiam levar a algumas quedas, desde muito alto, aqui apenas causam um certo mal-estar contido e comentários passageiros. Na curtíssima fase de indignação, culpas são empurradas de um lado para outro, nada se resolve e acaba tudo voltando ao marasmo conformista de sempre. O povo, por sua vez, amortecido, não reage. Todos os absurdos passam a fazer parte da normalidade do dia-a-dia.

Quem parece reunir condições, para que se dê um basta a tal estado de coisas, silencia. Faz-se evidente que todos parecem mais interessados em guardar sua estrita área de jurisdição, se não suas ambições e ideologias minúsculas. Por vezes, criam-se desde as cúpulas, grupos de trabalho e comissões de inquérito de inócuas conseqüências. E os guardiães das massas, os desenvoltos defensores das causas populares, são ótimos para provocar badernas na praça Quinze por causa da privatização da Usiminas, mas emudecem quando a Nação é realmene ferida, como no caso do confisco, sob a complacência geral, da poupança que humildes trabalhadores conseguiram formar às custas de muito suor e sacrifício.

A simples comparação do Brasil atual com o de poucas décadas atrás pode nos oferecer a resposta para muitas coisas dessa espécie. E tal resposta, por contornos complexos que possam ter os fatos, mostra- se simples e clara num aspecto: o fracasso das elites, sem exceção de categorias, quando muito, apenas, de pessoas. A verdade é que os mais velhos de hoje passam a seus pósteros um pais bem pior do que aquele que lhes foi legado.

A imigração para esta nova Canaã, por levas de europeus e orientais, próximos e distantes, que precisávamos há uma geração, deu lugar à emigração maciça, verdadeiro exílio social de patrícios, que nos encaminha, inclusive, a ter, nos Estados Unidos, colônia superior à portorriquenha. Os alentados classificados de empregos, nos jornais do Rio e S. Paulo, já refletiram um vigoroso mercado de trabalho, que agora minguou a ponto de vermos, dentro da cidade de S. Paulo, toda uma Montevidéu de desocupados, a abastecer a criminalidade, que cresce em progressão geométrica, a agravar as subcondições sanitárias, que regridem à Idade Média, junto com a marginalização da educação e da cultura. Explicações existem, justificativa nenhuma. Enfim, o "país do futuro" parece dar demonstrações de esgotamento.

Todo esse quadro dá o que pensar. A mistura da falência das elites com o colapso do sentido de cidadania é corrosiva. Adicionada a ela, a perda do controle oficial sobre uma facção numerosa, ativa e divorciada da lei e princípios morais - vide o que ocorre, desde altas camadas da sociedade até as favelas e periferias dos grandes centros -, o produto torna-se explosivo. Prever saudáveis conseqiiências futuras, caso nada venha a mudar, não tem como deixar de ser um exercício de otimismo digno de competentes malabaristas de idéias, o que não é nosso caso. Cabe a cada um meditar sobre o seu papel atual no sistema e empreender, enquanto é tempo, as ações corretivas a seu alcance ético e moral. Nós, modesta revista de clube, acabamos de fazer isso. E concluímos que, por ora, nos cumpria, ao menos, o dever de avisar.

Revista do Clube Naval, nr 299/1996"


Quaisquer semelhanças com o estado de coisas que presenciamos hoje, protagoni- zadas por pessoas ignorantes de pai (pelo menos, publicamente declarado), seriam meras coincidências?


Comemora-se, no próximo dia 23/OUT, mais um aniversário do CIAMA.


PARABÉNS CIAMA, PELOS 40 ANOS DE INESTIMÁVEIS SERVIÇOS PRESTADOS À NOSSA FORÇA DE SUBMARINOS!


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SUMÁRIO

A FLOTILHA DE SUBMARINOS E O LEVANTE DO ENCOURAÇADO SÃO PAULO - PARTE 2

O MESMO TIPO QUE O KURSK?

DURANTE A FALTA DE FUNDOS

 

 

 

 

 


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Além de divertido, mostrará a você o que pode acontecer com um projeto em desenvolvimento, suas freqüentes mudanças para atender à interesses diversos, e a evoluçào dos diversos interesses dos seus participantes.

Alertará, para que não cometamos os mesmos erros, quando projetarmos alguma coisa na Marinha do brasil.

NÃO SE ARREPIE COM AS BARBARIDADES!

MAS TAMBÉM NÃO CHORE! AJA! (ESTUDE, APRENDA, LUTE POR MELHORIAS!)

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No momento em que as forças armadas brasileiras sofrem as conseqüências de ações criminosas, por parte daqueles que deveriam preservá-las, não só pelo fato de minarem  a garantia da soberania e da integridade territorial do nosso Brasil, mas acima de tudo por proporcionarem a deterioração, pelo não aporte de verbas adequadas, do já escasso material bélico com que contamos, fruto da aplicação judiciosa de recursos oriundos dos contribuintes, num flagrante desrespeito ao cidadão brasileiro, resta-nos lembrar, aos marinheiros até debaixo d'água, que muito ainda pode ser feito em prol dos nossos submarinos.

Estudar e adquirir sólidos conhecimentos de modo a conduzir otimizadamente a estrutura organizacional para fazer face a esta situação, é um dos caminhos a trilhar.

Conhecer o enfoque sistêmico e a engenharia de sistemas parece ser um dos caminhos a trilhar. Desperdícios poderão ser evitados, e os recursos aplicados mais eficazmente.   

"USQUE AD SUB AQUAM NAUTA SUM".


O autor desta página e a redação do IÇA O DOIS! aproveita a oportunidade para desejar a todos os submarinistas, mergulhadores, mergulhadores de combate, médicos especializados nestas atividades, todo pessoal subalterno e civil que labuta diuturnamente para o engradecimento da nossa FORÇA DE SUBMARINOS, e a todos seus familiares, um FELIZ NATAL  e um PRÓSPERO ANO NOVO!

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