Iça o Dois! Número 6                       Jan/ 2003
Um país, em função da sua posição no concerto mundial em que está inserido, tem que, cedo, definir sua vocação de convivência. Esta escolhida, no nosso caso a via pacífica para a solução das controvérsias, mesmo assim tem que possuir "cacife" para fazer valer sua argumentação, garantindo sua soberania, e mais além, sua integridade sob todos os aspectos, principalmente de suas riquezas e de seu território.

Nasce daí a necessidade de possuir Forças Armadas, ferramenta indispensável à paz, e à almejada convivência pacífica. Segue-se a problemática de definir adequadamente qual a dimensão da expressão militar que lhe convém, para não pecar por falta, nem por excesso, o que somente evidenciará penalizações caso o desiderato de paz não se concretize.

Praticando o planejamento de forças, em função do quadro estratégico, e por meio de abordagens do tipo de cima para baixo, de baixo para cima, de incerteza, fiscal, e de risco, entre outras, chega-se ao dimensionamento particular de cada ramo especiali- zado de serviço militar. No caso da Marinha de Guerra, ao estabelecimento qualitativo e quantitativo dos meios navais, de fuzileiros navais e aéreos navais, de que precisa o país.

Num caso particular, para servir de exemplo - a  escolha dos meios navais - há que se seguir metodologia, de preferência já testada, que leve à obtenção de um submarino, sabendo, desde sua concepção, porque o queremos, para que o queremos e que dele esperamos, até sua retirada do serviço. Pratica-se, desta forma, o planejamento responsável,  e que já contempla, ainda nos instantes conceituais, a idéia do que chamamos de "modernização".

E é no nascedouro que traçamos a diretriz inicial desta moderni- zação, vis a vis as condicionantes tecnológicas conhecidas, as evoluções previstas, e os recursos que dispuzermos para alcançá-la (tem que haver muita previsão e provisão, neste processo) - e se será alcançada segundo "up grades" constantes, ou segundo um approach do "jump quanta",  popular conceito numa determinada época, e que dizia respeito a esperar acumular alguns avanços tecnológicos para depois incorporá-los ao meio a ser modernizado, ou finalmente, com vem sendo praticado modernamente, depois da segunda grande guerra, a chamada "modernização de meia vida".

Para que tudo isto aconteça com sucesso, perfeitamente adequado ao cenário estratégico-tático concebido por estrategistas (e não "pensadores estratégicos", já que raramente oferecem alguma solução prática para os problemas vividos), há que seguir meto- dologia, de preferência já testada e comprovada, em face da crescente complexidade do material, das crescentes reduções orçamentárias, e acirrada competição que resulta da forte globa- lização. 

Contemplada na área de conhecimentos multidisciplinares do que chamamos hoje de Engenharia de Sistemas, estamos falando do processo hoje referido, e intensamente praticado, mormente nas atividades comerciais, do APOIO LOGÍSTICO INTEGRADO.

URGE CONHECÊ-LO E PRATICÁ-LO!


     "Por cada hora de trabalho fora do horário de expediente, percebe-se uma gratificação por trabalho extraordinário.
      Por este motivo cada dia de mar significa, para a tripulação, o pagamento de uma gratificação calculada por empreitada pelas horas de mar que ultrapassam o horário de trabalho daquele dia".                             -Em A Organização dos Submarinos Italianos. Periscópio 56/2002, p. 46.

Se novas regras da Previdência não diferenciarem os militares, talvez esta seja uma conseqüência inevitável a onerar os cofres da Nação!

 

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SUMÁRIO

O que é  modernização?

O Libelo

Apoio Logístico Integrado na RN


O "IÇA O DOIS" registra, neste número, interessante artigo sobre modernização de submarinos, que traz muitas reflexões à superfície. Escrito em forma clara, e bastante elucidativa, deixa transparecer as aflições do autor  a respeito do que venha a ser a modernização de nossos submarinos, assunto que, igualmente, comungo perplexidade e muito questionamento. Afinal, não é matéria tão simples como pode parecer a primeira vista, e as conclusões do autor, ainda que sua solução proposta faça bastante sentido, é sugerida alcançar por via transversa, pelo que o que o IÇA O DOIS apresenta seu editorial, enfatizando que conhecimentos multidisciplinares e cultura sólida derivada da área de conhecimentos  da Engenharia de Sistemas, da qual resulta o processo do Apoio Logístico Integrado, são os ingredientes fundamentais para a   solução de problemas que muito incomodam as nossas FFAA,  na obtenção dos meios destinados à guerra. 

O Libelo, bem ... O Libelo ... sem comentários.  

O artigo APOIO LOGÍSTICO INTEGRADO fornece um resumo de como o ALI é usado na RN.

Interrompemos momentaneamente,  neste exemplar, por falta de notícias, a continuação da "A Ilha Maldita", obra de pura ficção, que narra estranhos acontecimentos vividos por submarinistas, mergulhadores, e outros militares, participantes e  testemunhas do que pode aconte- cer numa longínqüa paragem do  Atlântico Sul, fatos dos quais até mesmo nossas autoridades duvidam. T\ào lgo tenhamos novidades, a série continua.

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Conseqüência da globalização - dito de um marinheiro para outro, no viaduto dos Marinheiros, nos carros alagados, depois das fortes chuvas de janeiro, no Rio de Janeiro:

"SOMOS MARINHEIROS ATÉ DEBAIXO D' ÁGUA"