Iça o Dois!                     


 Número 41                                     OUT/2011

EDITORIAL

Conforme mencionamos anteriormente, as dificuldades para a adoção de medidas visando a modernizar uma força armada são inversamente proporcionais ao grau de cultura profissional de seus elementos dirigentes.

Iuri percebe isso. Iuri é aquele mesmo marinheiro que escreveu "O libelo" e "Quem pareus matiu que o embale" artigos pelos quais demonstra sua perplexidade quanto à incapacidade dos elementos da sua Marinha de se atualizarem e agirem no sentido de modernizá-la.

Iuri continua, portanto, mais surpreso ainda. Refere-se ao fato de que existe muita "problemática" e quase nenhuma "solucionática". Em outras palavras, todo muito sabe o que fazer, mas não sabe fazer, ou não sabe como mandar fazer e, quando manda fazer, não sabe se o que está sendo feito é o que foi ordenado. É claro que esse comportamento não é só na sua instituição, mas, com raras exceções, de quase todas no desgoverno do seu país.

O artigo transcrito, do sociólogo Luiz Marins, e o comentário de um seu admirador, ou seguidor, dão bem conta do que queremos dizer com isso.

Só a título de exemplo, cansamos de ler artigos e mais artigos sobre a importância do submarino nuclear numa instituição Marinha de guerra. Se vertesse para qualquer outra língua, referente a qualquer outro país, esses artigos seriam igualmente verdadeiros.

O que incomoda é que ninguém, ou quase ninguém, coloque os pés no chão, e aborde as dificuladades para obtê-lo e tê-lo, e proponha SOLUÇÕES, pelo menos para os inúmeros problemas técnicos que advirão.

Quando se lê tais artigos, parece que problemas dessa natureza não existem, ou são tão elementares que a propria organização os superará com facilidade.

Sabemos que seria muito trabalhoso ter que estudar cada problema ou aspecto isoladamente, a fim de propor solução para as dificuldades decorrentes, mas nos parece que a repetição de artigos descritivos das vantagens do uso dessa ou daquela inovação tecnológica ou sistema de armas deveria se limitar àqueles textos que esclarecessem aos leigos no assunto. Dentro da instituição Marinha, ou para a instituição Marinha, esses autores deveriam estudar e propor soluções, e não só apresentar fantasias. Além do tempo que se perde nessas leituras, cansa...

Evitemos, pois, as "problemáticas" e passemos às "solucionáticas". Será bem mais proveitoso para a instituição.

O barqueiro Caronte,da Divina Comédia, continua ativo!

 

 

SUMÁRIO

MUITA INICIATIVA E POUCA ACABATIVA

MUITA INICIATIVA E POUCA ACABATIVA - COMENTARIO!


"SOMOS MARINHEIROS ATÉ DEBAIXO D' ÁGUA"

 

 

Caronte, o filho de Nix, ilustrado por Gustave Doré , para a Divina Comédia