Iça o Dois!                                       ano 6                      Exemplar 22     

Editorial jan/2007

Definido o tipo de submarino que a MB escolheu para dar continuidade ao seu programa de reaparelhamento das forças navais, muita discussão surgiu sobre o assunto.

Uns advogam a necessidade de obtenção de um submarino de propulsão nuclear. Outros advogam a construção do submarino de projeto nacional, o SNAC1, cujo processo de desenvolvimento até o estágio de decisão de construção, foi desencadeado com base na capacitação do nosso pessoal técnico.

O Comandante da Marinha, em nota esclarecedora, deixou claro a posição da MB em escolher a obtenção do submarino de origem alemã, o IKL 214, sem propulsão independente do ar, em face da ausência de recursos para prosseguimento do nosso projeto, e para manter uma coerência logística do material adquirido. Pesa, acima de tudo, a oportunidade de financiamento oferecida, de cerca de 1 milhão de euros, para a obtenção desse material de defesa.

Qualquer que seja o processo escolhido para obtenção desse sistema de armas, lamentamos apenas a perda de oportunidade para ampliarmos os trabalhos do processo de obtenção, partindo da concepção, como seria o caso do Submarino de projeto Nacional, mas procuramos entender que são vários aspectos políticos, com conseqüências financeiras, que determinam a decisão da Marinha.

Tecnicamente, lamentamos a perda de oportunidade de desenvolvimento integral de um projeto nacional, pois é do berço que nascem as soluções mais otimizadas dos projetos de navios, aí incluídos os submarinos. Partindo de um projeto já existente, continuaremos a prática do "kit revel" e muitas instâncias e oportunidades de otimização da apoiabilidade do navio nem sequer serão tratadas, pois já foram resolvidas na origem, nem sempre favoráveis a nós.

Por isso é importante salientar que, qualquer que seja o tipo de obtenção adotado, cheguemos a maturidade de conhecer sobre o processo de obtenção segundo abordagem da Engenharia de Sistemas, quando desponta, por sua vital importância, o desenvolvimento do Programa de Apoio Logístico Integrado, ou a Análise de Apoiabilidade, como já é hoje referido, para que tenhamos, ao final do processo, um submarino de real valor militar, a um custo otimizado, tanto de desenvolvimento quanto de apoio e manutenção ao longo de todo seu período operativo, tudo com relação ao ambiente em que pretendemos operá-lo.

Mas, se pelo menos conduzido o macro processo de obtenção em moldes modernos, dentro dos padrões impostos pelas disciplinas praticadas, tais como a Logística de Obtenção, a Engenharia de Sistemas, a Engenharia Logística, a Gerência de Projetos, a Garantia de Qualidade e praticando um bom programa de Confiabilidade e Manutenibilidade, etc., a apoiabilidade do novo submarino, seja de que origem for, estará garantida, não deixando a desejar, como vem acontecendo até então.

Urge, pois, mudança de postura de  nossos CONCEBEDORES e TOMADORES DE DECISÃO, no sentido de evoluírem para um contexto metodológico que os aproxime, cada vez mais, do conhecimento científico, garantia de que só assim serão tomadas as melhores decisões na MB, além do que a base de conhecimentos assim adquirida contribuirá, certamente, para o aprimoramento do senso comum naval.

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O artigo "PORQUE TODOS NA MARINHA DEVEM SE INTERESSAR POR LOGÍSTICA, PRINCIPALMENTE OS ENGENHEIROS" do Alte Tiudorico, analisando um artigo escrito por engenheiro PROJETISTA da Royal Navy, mostra sua concordância em que todos na Marinha , principalmente os engenheiros, devem aprender algo de logística, para contribuírem para a APOIABILIDADE  dos projetos. Isto parece ser mais tolerável do que formar "logísticos" exclusivamente para lidar com o problema de obter o apoio logístico dos sistemas ou equipamentos complexos obtidos para a defesa naval.

O autor chama a atenção no artigo para a necessidade da existência de um programa  que trate de desenvolver, nos projetos, os requisitos de Confiabilidade, de Manutenibilidade e de Disponibilidade.

 



SUMÁRIO

SUBMARINOS: A VISÃO DA MARINHA

PORQUE TODOS NA MARINHA DEVEM SE INTERESSAR POR LOGÍSTICA, PRINCIPALMENTE OS ENGENHEIROS.