Iça o Dois! Número 10                       Jan/ 2004
 

No momento em que nossas FFAA mais sofrem pela carência de recursos para cumprir suas missões, há que parar para pensar em possíveis alternativas. No número anterior, artigo do Comandante Guaranys apontava para uma atitude de enfrentamento da crise, atitude esta que, embora deva ser permanente, sugere seu melhor aproveitamento nos dias atuais.

A direção editorial do Iça o Dois!, ao republicar o artigo do diplomata João Paulo Soares Alsina Júnior, publicada na Internet sob o título "Política externa e defesa no Brasil atual: uma agenda possível" tem em mente lembrar aos companheiros submarinistas (e todos os demais, das FFAAs brasileiras), que há caminho!

É reproduzido, também, por muito oportuno, o artigo do CAlte Yapery Tupiassu de Britto Guerra - Presidente da ABEMI              CREA  8133 D/5ª, versando sobre o descaso governamental para com o preparo das forças navais para cumprirem sua destinação vocacional, e enfatizando a necessidade de dar prosseguimento ao programa nuclear da marinha.


* Diplomata de carreira e mestre em relações internacionais pela Universidade de Brasília.


A FALTA DE ATENÇÃO PARA COM AS FFAA, NO BRASIL, NÃO É NOVIDADE. LEIAM ALGUNS TRECHOS DO EDITORIAL DO BOLETIM DO CLUB NAVAL, ANO 1, NÚMERO 1/OUTUBRO DE .....1888!

" ... O primeiro dever, porém, deste órgão do Club Naval,  será o de fazer prosperar por todos os modos a classe de marinha sobre a qual pesam immensos deveres.

E, com effeito, uma classe que deve representar nos paízes estrangeiros a nação Brazileira, uma classe á qual está confiada a honra da patria, devia merecer dos poderes publicos a maior attenção e estudo, no intuito de collocal-a na altura a que se deve elevar por seu duplo fim, nobre e honroso. - Longe disso, parece ao contrario, não ser ella considerada sob seu verdadeiro aspecto, porquanto é urgente uma reforma geral em sua organisação, reforma essa por todos reconhecida necessaria e inadiavel, e que se deve estender não ao pessoal, mas também a todo o material."

Trata em seguida, aquele editorial, de aspectos do pessoal, enfatizando a necessidade da reforma do fluxo de carreira, pois que somente aos quarenta e dois de idade se poderia alcançar o posto de capitão tenente, "cujos vencimentos são, como se sabe, muito reduzidos!!!"

E mais!

"Entretanto é incontestavel que o nosso mais importante meio de defeza é a marinha, em consequencia da vastidão do nosso litoral e o nosso mais notavel representante no estrangeiro é o navio de guerra, verdadeiro prolongamento da patria, que, transportando o pavilhão nacional, o deve tornar conhecido, respeitado e acatado pelo mundo inteiro. - E apezar disso, é essa classe, de que talvez menos se cuida; aquella em que o individuo que para ella entra, qual navegante esperançoso de attingir um dado ponto, uma posição social compatível com seus estudos e com seus serviços á patria, descortina logo nos primeiros dias de viagem um horizonte tão apertado.

É, pois, de suprema necessidade que os poderes publicos dirijam sua vistas para esta classe, dotando-a de melhor organização, e exactamente este Boletim procurará antes de tudo cumprir o dever de apresentar ideias que sirvam de base a estudos tendentes a fazer com que a marinha Brazileira acompanhe os progressos e a civilisação de que será em breve dotado o paiz para o qual raiou uma nova aurora no dia 13 de Maio de 1888.

Possa o anno em que se escreveu a mais sublime pagina da Historia do Brazil, ser tambem aquelle que pela fundação deste Boletim de dêem os primeiros impulsos para que a classe de marinha attinja o apogêo de sua orbita."

A reprodução deste editorial tem duplo endereço, dada a sua atualidade:

Primeiro, visa aos da ativa, de modo a lembrar que, seja quais forem as razões, as instituições militares, mais do que quaisquer outras,  sempre trabalharam e trabalharão com estreita margem de liberdade de recursos, em face das demais necessidades dos povos que defendem. E isto nunca poderá servir de escusa para o abatimento, se alguém assim se sentir!

Em segundo lugar, recorda o papel que cabe aos clubes de classe dos militares, em disseminar e lutar por idéias sobre as mais importantes questões e os grandes problemas das forças armadas modernas.

Na defesa dos interesses da classe de marinha, a revista do Clube Naval não se pode furtar, seguindo como tem procedido até agora, de ser sua incansável advogada!

O EDITOR

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SUMÁRIO

Política externa e defesa no Brasil atual: uma agenda possível.

Meu último projeto!

Programa Nuclear da Marinha

 

 

 

 

 


ASSISTA AO FILME "THE PENTAGON WAR", título em português "MÁQUINA DE GUERRA", da Warner.

Procure na sua locadora. Vale uma lição para qualquer força armada!

Além de divertido, mostrará a você o que pode acontecer com um projeto em desenvolvimento, suas freqüentes mudanças para atender à pressões diversas, e a evolução dos diversos interesses dos seus participantes.

Alertará, para que não cometamos os mesmos erros, quando projetarmos alguma coisa na Marinha do Brasil.

NÃO SE ARREPIE COM AS BARBARIDADES!

MAS TAMBÉM NÃO CHORE! AJA! (ESTUDE, APRENDA, LUTE POR MELHORIAS!)

***
No momento em que as forças armadas brasileiras sofrem as conseqüências de ações criminosas, por parte daqueles que deveriam preservá-las, não só pelo fato de minarem  a garantia da soberania e da integridade territorial do nosso Brasil, mas acima de tudo por proporcionarem a deterioração, pelo não aporte de verbas adequadas, do já escasso material bélico com que contamos, fruto da aplicação judiciosa de recursos oriundos dos contribuintes, num flagrante desrespeito ao povo brasileiro, resta-nos lembrar, aos marinheiros até debaixo d'água, que muito ainda pode ser feito em prol dos nossos submarinos.

Nada de ufanismos! Estudar e adquirir sólidos conhecimentos de modo a conduzir otimizadamente a estrutura organizacional para fazer face a esta situação, é um dos caminhos a trilhar.

Conhecer o enfoque sistêmico e a engenharia de sistemas parece ser um destes caminhos. Desperdícios poderão ser evitados, e os recursos aplicados mais eficazmente.   

"USQUE AD SUB AQUAM NAUTA SUM".



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