CONCEITO DE PROBLEMAS DINÂMICOS DE ANÁLISE MILITAR-ECONÔMICA NA OBTENÇÃO DE SUBMARINOS

   

VAlte Capetti   2006

Se fosse dada a possibilidade a qualquer país de escolher a dimensão de suas Forças Armadas, sem restrições de qualquer natureza, o problema militar daquele país estaria, aparentemente, resolvido para o resto de sua existência. Seriam escolhidos os Sistemas de Defesa mais modernos e disponíveis, na quantidade em que não pairassem dúvidas sobre a superioridade sobre todos os demais países do mundo. Nesse caso (utópico, é claro) talvez os maiores problemas fossem internos, pela disputa entre a natureza naval, a natureza militar terrestre e a natureza aérea do problema militar a ser resolvido, em suas diferentes formas de abordagem.

A Marinha iria querer, sem sombra de dúvidas, os meios ou sistemas navais de última geração; idem com o exército e com a força aérea, quanto aos seus meios característicos. Não havendo restrições de quaisquer naturezas, perguntada a uma Força como resolver determinado problema militar, ela imediatamente buscaria a solução no seu campo de abordagem. Não mais seriam necessárias atividades em Ciência e Tecnologia, com vistas à novas tecnologias e materiais, tendo em vista que a solução era final. Bastaria apenas contar com recursos de toda ordem, para manter tal expressão militar. Os demais países teriam que ser proibidos de evoluir, para não acarretar problemas.

De fato, o que iria acontecer, seria a tendência dos demais países abrirem mão de poder militar, tendo em vista o superior poder do país citado como exemplo. Ora, a partir desse instante o utópico país de referência deixaria de ter necessidade de manter suas forças armadas, e tenderia a reduzi-las, até desaparecerem. Não haveria mais ameaças, o mundo seria de paz completa, acabariam os militares .... O verdadeiro paraíso.

Todos nós sabemos, porém, que a realidade é inteiramente outra. Não se obtém Sistemas de Defesa só por que é bom tê-los, estratégica e taticamente. É preciso obter os que são eficazes e tenham custos aceitáveis.

Para cada necessidade militar levantada em função dos objetivos de defesa de cada país, existirá um sem número de requisitos a serem identificados, com a finalidade de resolvê -la.

 

Muitos desses requisitos serão restritivos (constraints), o que leva cada país a dimensionar cada uma de suas forças armadas de acordo com suas possibilidades tecnológicas, de recursos de toda ordem e natureza, do grau de ameaça aos seus objetivos, da quantidade de sistemas de defesa já existentes, da estratégia que selecionar para abordar o problema, da capacidade e possibilidades do oponente caso seja identificado, de um adequado balanceamento das capacitações de cada natureza militar em função de seus orçamentos, entre inúmeros outros elementos a serem considerados.

Assim, a busca pela eficiência é uma constante no estabelecimento da expressão militar de um país, projetando-se, desse modo, na outra ponta da equação, para a busca da eficiência específica de cada Sistema de Defesa.

Não se obtém aeronaves sem rastrear sua necessidade em face das missões e tarefas decorrentes de objetivos de defesa; o mesmo para meios navais, e meios terrestres. É feito o que é possível, dentro do ajuste de equações de balanceamento entre as demais necessidades sociais e capacidades econômica e tecnológica do país. As restrições são cada vez mais severas. As soluções tendem a ser cada vez mais tecnologicamente complexas e caras. Os orçamentos são cada vez mais disputados pelas carências sociais.

O artigo anexo (ANÁLISE MILITAR-ECONÔMICA NA OBTENÇÃO DE SUBMARINOS) chama a atenção para a necessidade de ser levada em consideração na obtenção dos complexos Sistemas de Defesa, em particular no caso de submarinos, análises tanto da eficácia desses sistemas como dos custos envolvidos.

Não se obtém submarinos de propulsão nuclear só por que é bom tê-los, estratégica e taticamente. Mesmo isso tem que ser demonstrado. O fato é que há outros importantes elementos a serem considerados. Gostaríamos de ter vinte ou trinta, ou mais submarinos nucleares de diversas finalidades. Operá-los é apenas uma questão de treinamento de submarinistas. Mas não é bem assim que as coisas funcionam. O Alto Comando tem que justificar suas escolhas. Leiam o artigo e meditem.

ANÁLISE MILITAR ECONÔMICA NA OBTENÇÃO DE SUBMARINOS