A FLOTILHA DE SUBMARINOS E O LEVANTE DO ENCOURAÇADO SÃO PAULO


A ESSES HOMENS, NÃO LHES PODIA FALTAR A CORAGEM !

Um pouco de História - Parte 2 (Continuação do número anterior)

RMB 1/2003 Nr 123 (abr.mai/jun)   Valte (RRm) RCapetti  & CMG(RRm) Cascardo
O ATAQUE IMPOSSÍVEL

O dia quatro de novembro amanheceu com a revolução navegando nas águas da baía da Guanabara. O Primeiro-Tenente Hercolino Cascardo17 assumira o comando do encouraçado São Paulo e deflagrara o levante que vinha sendo adiado desde o dia vinte de outubro. Junto com ele mais seis Segundos-Tenentes: Adhemar de Siqueira, Augusto do Amaral Peixoto Junior, Arnaldo Pinheiro de Andrade, Paulo Alcoforado Natividade, Mário Freitas Alves e Benjamin Audiffrent Xavier.

Sem sucesso, o encouraçado Minas Geraes e a Escola de Aviação Naval tentaram acompanhá- lo. A torpedeira Goyaz suspendeu da Escola Naval, comandada pelo Segundo Sargento Bertolino Pizzato, que aderiu ao movimento. Na figuração de Amaral Peixoto, o São Paulo e a Goyaz constituíam curiosa associação:

"seria pois a revolta do maior e do menor navio da Esquadra".(33:11)

Alexandrino toma conhecimento da rebelião do S. Paulo

Corria a última hora do quarto d´alva, quando dois oficiais chegaram ao gabinete do Ministro da Marinha. Lá, foram recebidos pelo Chefe de Gabinete, Capitão-de-Mar-e-Guerra Arnaldo Pinto da Luz que, reconhecendo a gravidade e urgência da intempestiva audiência, os conduziu à presença de Alexandrino, que lia os jornais da manhã. Um dos oficiais, o Comandante do São Paulo, Capitão de Mar e Guerra Gitahy Alencastro, era portador da notícia mais temida pelo Ministro da Marinha e pelo Presidente Arthur Bernardes: a de que o São Paulo, navio sob o seu comando, revoltara-se contra o governo. Como não pernoitara a bordo, e por isso desconhecia em minúcias de como se passaram os fatos, trouxera em sua companhia o Capitão-Tenente Adalberto Azeredo Rodrigues que, detalhadamente, relataria o acontecido.

Azeredo Rodrigues há cerca de uma hora baixara terra vindo do São Paulo, em lancha liberada pelos revoltosos. Não sendo por eles considerado do grupo fiel ao governo, pois estes ficaram presos a bordo, e nem revolucionário, desfrutava da simpatia dos Tenentes, que facilitaram o seu desembarque, em companhia de mais outros dois Capitães-Tenentes, em idêntica situação: Salalino Coelho e Nelson Mége.

Servindo no Departamento de Artilharia estava Azeredo Rodrigues a par da reduzida dotação de munição existente e, como mais antigo da divisão de serviço, tinha ciência dos principais reparos na máquina, como a retirada da tampa e das molas do cilindro de alta pressão da máquina alternativa propulsora de boreste, e dos existentes em aguada e carvão. Ao presenciar a tomada do navio pelos revoltosos, pode relatar seus nomes, quantos eram, quem tinha sido preso e, também, informação de relevante valor, qual o grau de adesão da guarnição até aquele momento, permitindo, com razoável precisão, identificar as restritas condições operativas do encouraçado.(34:21)

A ordem de ataque para os submarinos

Enquanto Azeredo Coutinho e Gitahy conferenciavam com o Ministro, Pinto da Luz foi ao camarote trocar o uniforme mescla que usava. Nesta ocasião chegou o contínuo Pompílio, que lhe transmitiu a seguinte ordem de Alexandrino:

"Mandar preparar os submersíveis para um ataque ao São Paulo" (35)

Pinto da Luz transferiu-se para seu gabinete a fim de telefonar para a Flotilha de Submersíveis. Neste afã demorou-se algum tempo, pois do tênder Ceará custavam a atender, mas finalmente conseguiu a ligação. Neste meio tempo Alexandrino já se dirigia para o Arsenal, sendo que Pinto da Luz ainda procurou alcançá-lo, mas sem sucesso. O Ministro, juntamente com o Ajudante de Ordens, Muniz Barreto, embarcara na lancha Olga, com destino ao Minas Geraes. No caminho, passou a contrabordo do Ceará, que se encontrava fundeado a noroeste da ilha das Cobras e, pessoalmente, transmitiu a ordem que já fora, também, encaminhada por Pinto da Luz. Em decorrência, os submersíveis suspenderam e deslocaram-se para as docas do Lloyd, onde atracaram com a finalidade de se aprestarem, conforme orientação estabelecida por Castro e Silva desde o dia dezenove de outubro.

Alexandrino, ao embarcar no Minas Geraes, assumiu de fato o seu comando, pois "ficou o navio sob a superior direção do Sr. Ministro", conforme o entendimento do comandante do encouraçado, Capitão de Mar e Guerra Carlos Frederico de Noronha, passando então a ministro a chefiar a reação legalista contra o São Paulo.

De regresso ao gabinete, Pinto da Luz imediatamente entrou em contato com o palácio do Catete, no sentido de obter autorização presidencial para efetivar o ataque, pois, até então, Alexandrino ordenara, apenas, ultimar a preparação. A resposta afirmativa foi-lhe transmitida pelo General Santa Cruz, Chefe da Casa Militar. De posse da autorização, Pinto da Luz encarregou o Primeiro-Tenente José Carlos Alves de Souza, auxiliar de gabinete, de comunicá-la aos comandantes dos submersíveis. Como o Ajudante de Ordens do Presidente Bernardes, Capitão-Tenente Edgard de Mello, acabara de chegar, seguiram juntos para o desempenho da tarefa. Chegando ao tênder Ceará foram informados de que os submersíveis já tinham recebido as necessárias ordens a respeito.

Nequela mesma ocasião chegou, também, o Capitão-de-Corveta Tácito Reis Moraes Rego, Sub-Chefe da Casa Militar, que viera confirmar a autorização de Bernardes e, mais provavelmente, verificar e acelerar, se fosse o caso, a execução do ataque ao São Paulo.

No meio de toda aquela azáfama, apresentou-se o Capitão-Tenente Edmundo Williams Muniz Barreto, procedente do Minas Geraes, trazendo a ordem escrita de Alexandrino, redigida às nove horas e trinta e cinco minutos, para que os submersíveis hostilizassemm o encouraçado, e querendo saber por que não havia, ainda, sido cumprida a anterior ordem verbal. Para tanto, seguiu Muniz Barreto para as docas, entregando o documento a Pinto Lima, que então tomou conhecimento formal dos seus termos.

Insulado no interior da baía de Guanabara, o São Paulo tinha o Minas Geraes como seu vizinho do poço dos encouraçados. A pequena distância estavam os contratorpedeiros, no fundeadouro do São Bento e ao norte da ilha das Cobras. Os submersíveis ultimavam o aprestamento na doca do Lloyd. Mais próximos de Niterói, encontravam-se os cruzadores, o Barroso recém-saído do dique da Casa Lage. A Aviação Naval estacionava seus hidroaviões na ilha das Enxadas e na ilha do Governador. Juntos, todos esses meios representavam oposição ao São Paulo, com expressiva superioridade em poder combatente. com o levante conhecido desde às 7 horas da manhã e o encouraçado transpondo a barra às 11 horas, mesmo assim não lhe foi apresentada  reação contestatória. O comandante do Minas Geraes ordenara que seu navio só "abrisse fogo contra o São Paulo somente depois que elle atirasse sobre este navio ou para a cidade"18

Obstruindo a saída da barra, contrapunham-se as fortalezas de Santa Cruz, Pico19, Imbuhy, São João, Lage, Leme e Copacabana, sob o comando do Ministro da Guerra, General Setembrino de Carvalho. Aí, sim, o São Paulo encontrou resistência. Nesta ocasião foi submetido a intenso bombardeio, com duas horas de duração, tendo as fortalezas disparado 59 granadas de calibres variando entre 150 mm e 305mm, obtendo cerca de nove acertos.20

Entrementes, a prontificação dos submersíveis era acompanhada atentamente, por várias autoridades, cujo número e pelas funções exercidas, não deixavam margem a dúvida quanto à importância da missão ordenada. Embora existissem outros meios com possibilidade de emprego contra o São Paulo, como o Minas Geraes, que estava no poço dos encouraçados, cerca de trezentos metros de distância, os cruzadores, os destróiers, ou os aviões de bombardeio do Centro de Aviação Naval, a ordem de ataque fora dirigida exclusivamente aos submersíveis.

Nas docas encontravam-se Castro e Silva, o Capitão-de-Corveta Antonio Cantuária Guimarães, então diretor do Lloyd, Edgard de Mello, Alves de Souza, Moraes Rego e Muniz Barreto, último a chegar.

A movimentação do F-3

Uma hora após o S. paulo tê-lo feito, às dez horas e quinze minutos Pinto Lima suspendeu com o F-3, rumando para o canal de saída da barra, onde mergulhou. Fora alertado por Cockrane de que a torpedeira Goyaz e a Escola de Aviação também estavam revoltadas, o que o fez precaver-se de possível ação adversa delas advinda. Onze horas e quinze minutos, depois de ter vindo à superfície, retornou para perto do Ceará por ter avistado um avião de bombardeio, e a Goyaz, que se movimentava entre ele e o São Paulo. Acercando-se do Ceará, fez novo exame de situação com Hecksher que, a seu pedido, procurou Castro e Silva. Nesta ocasião chegaram Edgard de Mello e Alves de Souza, que informaram ser o avião amigo, pois o revoltado, um N-9, demandara a barra acompanhando o encouraçado. Muniz Barreto confirmou, igualmente, o que acabara de ser dito. Cientificado de que não mais havia o perigo aéreo, Pinto Lima tranqüilizou-se quanto a possível ameaça da torpedeira, pois lhe informaram que estavam sendo tomadas providências para protegê-lo. A sua preocupação, em relação à Goyaz, devia-se menos ao receio dos danos que ela pudesse infligir ao submersível, do que o fato de poder impedi-lo de cumprir a missão que lhe fora confiada. Voltou a mergulhar, rumando para o poço dos encouraçados, e por não conseguir avistar o São Paulo, conclui que ele já cruzara a barra. Ao passar nas proximidades do Minas Geraes, foi sinalizado por uma lancha que, chegando à fala, comunicou-lhe que estava sendo chamado pelo Almirante José Maria Penido, o Comandante da Esquadra. Este o enviou a Alexandrino, que lhe ordenou não sair a barra. Em imersão, o F-3 continuou a patrulhar a entrada da baía até às quatorze horas e cinqüenta e cinco minutos. A partir daí permaneceu de prontidão em Villegaignon, aguardando o sinal do Minas Geraes para atacar o São Paulo, caso este fosse avistado pelos navios patrulhadores, que faziam uma linha de vigilância entre as ilhas do Pai e Cotunduba, e "que sinalizariam com uma tigelinha branca".(36)

Provavelmente temis-se que o S. paulo retornasse ao rio de Janeiro.

Alves de Souza, que presenciara o aprestamento dos submersíveis, ao publicar o seu livro de memórias, cinqüenta e cinco anos após os fatos terem acontecido, expressou seu entendimento pessoal, reproduzido em artigo da RMB:

"Senti da parte dos submarinistas a maior má vontade em cumprir as ordens do Ministro. Estavam todos comprometidos, mas não tiveram coragem de aderir ao movimento revolucionário."(37:213)

Esta infeliz avaliação talvez não tenha levado em conta a situação na época, até porque reproduzida muitos anos depois, quando a memória começa a fantasiar a realidade, e cremos que somente levando em conta os fatores e o material documental sumariado a seguir, é que se pode melhor avaliar o acontecido:

- As condições operativas da Flotilha de Submersíveis;

- A atitude do Capitão-Tenente Renato de Almeida Guilhobel21;

- Memorial do Commandante Pinto Lima22;

- Informação do Capitão-de-Corveta Moraes Rego.(38)

ANALISANDO A PARTICIPAÇÀO DA FLOTILHA

Dez dias tinham decorridos entre a última das três malogradas tentativas na Flotilha de Submersíveis e o levante do São Paulo. Os submersíveis eram guarnecidos, cada um, por uma tripulação de dois oficiais e vinte e uma praças, a maioria das quais Suboficiais e Inferiores, como eram intitulados os Sargentos. As praças de menor graduação, cabos e marinheiros, eram cursadas na especialidade e tinham razoável experiência nas funções.

O amanhecer de vinte e cinco de outubro contemplara as prisões dos Comandantes e Imediatos dos F-1 e F-5, logo, a totalidade da oficialidade desses submersíveis. O mesmo ocorrera com a maioria da guarnição, como dá conta os registros do Livro de Quarto do tênder Ceará relativo aos dias vinte e quatro até vinte e seis. Ora, é indiscutível que a movimentação de praticamente todo pessoal dos pequenos submersíveis não viesse a acarretar sérios prejuízos as suas condições operativas, como de fato, a de qualquer outro tipo de navio. No entretanto, tratando-se de submersíveis, sujeitos à particulares condições de alto risco em navegação submersa, o que implicava necessitarem de um elevado nível de adestramento interno para operar com eficácia e segurança, eles ficaram praticamente imobilizados, situação que não poderia ser restaurada no curto espaço de tempo de dez dias.

A bem da verdade foram efetuadas substituições. Assim, assumiram novos Comandantes e Imediatos, agora, da confiança do Ministro, e leais, portanto, a causa governamental. Foram empossados o Capitão-Tenente João de Paiva Azevedo, no comando do F-1, e o Capitão-Tenente Aureliano Magalhães, no F-5, onde também embarcou o Primeiro-Tenente Raul Reis de Souza.

A nomeação e exoneração de oficiais, que em tempos normais é um ato rotineiro, não apresentava tal característica naqueles tensos dias de outubro, em meio a inquietante agitação política e militar de um país que se encontrava em estado de guerra civil. Disso nos dá testemunho a experiência vivenciada por Guilhobel, que, em suas memórias, a interpretou como um incidente desagradável. Naquela ocasião ele comandava o Navio-Tanque Novaes de Abreu, quando foi chamado ao gabinete do Ministro. Sendo especializado em submersíveis, e como anteriormente expressara o seu desejo de comandar, foi-lhe, na audiência, oferecido o "comando transitório de um dos submarinos F, com a tarefa de torpedear o navio revoltado, que estava fundeado no porto". Guillobel não concordou, e declinou do convite:

"Se me dessem ordem de atacar o navio com o meu Novaes, eu cumpriria a ordem, mas receber um comando com o fim exclusivo de fazer isto eu não aceitaria nunca; amava demais a minha carreira para proceder de modo diferente. Entre cumprir um dever, e ser escolhido para uma espécie de executor, aliás sem maior perigo, não estava na minha conta." (39:154)

Os depoimentos de Pinto Lima

Pinto Lima conduzira sua guarnição de modo a que ela resistisse ao apelo revolucionário que engolfara os F-1 e F-5. Conseqüentemente, teve intocada a lotação do submersível que comandava, não tendo nenhum subordinado seu desembarcado preso por motivo político. Na manhã de quatro de novembro, quando Alexandrino ordenou o ataque torpédico, o F-3 era o único dos submersíveis que conservara a capacidade operativa. Como o São Paulo zarpou sem ser hostilizado pela Esquadra, e as bombas lançadas pelos hidroaviões não o acertaram, forte pressão se exerceu sobre o comandante do submersível, no intuito de responsabilizá-lo por não ter conseguido efetuar o ataque torpédico, como se depreende das declarações de Alves de Souza.

Pinto Lima fez registro de como os acontecimentos se passaram, em dois documentos formais. O primeiro, quando depôs em Inquérito Policial Militar, conduzido pelo Capitão de Fragata Clemente Pinto, e mais tarde, numa petição que encaminhou ao Presidente Bernardes, ocasião em que, além de tecer considerações, reproduziu trechos do IPM instaurado. Esta petição, ao dar entrada no Gabinete da Presidência, recebeu a denominação de - Memorial do Commandante Pinto Lima. Nele está consignada a narrativa dos fatos como aconteceram, entre dezenove de outubro e quatro de novembro, e os quais ainda não foram expostos no decorrer do presente trabalho. O Memorial aborda desde o que sucedeu nesse último dia, a partir do recebimento da ordem verbal de Alexandrino, prosseguindo com a ida para as docas do Lloyd, os preparativos para o ataque, a busca ao encouraçado, e finaliza com alguns trechos relevantes extraídos do IPM.

Busca o comandante Pinto Lima reforçar sua argumentação, reportando-se ao dia dezenove de outubro, quando Castro e Silva transmitira duas importantes ordens, como já mencionamos: que as cabeças de combate fossem transportadas para bordo, e ficassem nos cabides sem, no entanto, serem instaladas nos torpedos; e a segunda, a de que os submersíveis, em caso de alteração da ordem, suspendessem para as docas do Lloyd, onde deveriam se aprestar para a ação.

Com o agravamento da situação na noite de vinte e quatro e madrugada de vinte e cinco, quando entrou em vigor o regime de prontidão rigorosa, Pinto Lima, no dia primeiro de novembro, sugerira a Castro e Silva, contudo sem obter autorização, que fossem retiradas as cabeças de exercício dos torpedos que moravam nos tubos de lançamento, substituindo-as pelas de combate armazenadas nos cabides de bordo. Alegara, como resultado prático desta alteração, um expressivo ganho de tempo, aproximadamente uma hora, na preparação do submersível. Assim se reporta Pinto lima no Memorial:

"Si, no dia 1, quando fiquei de rigorosa promptidão, não tivesse sido negada, apezar da minha insistência, ordem para ligar as cabeças de combate, no dia 4 o S. Paulo teria sido torpedeado, talvez, antes de largar da bóia." (40)

Por ter sido este o seu modo de pensar e agir23, Pinto Lima admirou-se com a abertura do IPM, e, continuando a dirigir-se ao Presidente, manifestou a sua incompreensão pelo que lhe aconteceu:

"Foi, portanto, com grande surpreza, que soube da abertura do inquérito para apurar a causa do não ataque ao S. Paulo, inquerito esse mandado abrir por auctoridade que não devia ignorar o pedido insistente que fiz, com muita antecedência (fiz o pedido no dia 1 de Novembro e a revolta do S. Paulo foi á 4) para que o navio estivesse completamente prompto." (41:7)

Reportando-se ao seu depoimento no IPM, reproduz trechos que lhe parecem importantes, para que a lisura do seu procedimento transpareça com maior clareza, prosseguindo com sua linha de argumentação junto a Bernardes:

"Dos termos do oficio que me é lido, quer me parecer que o fim deste inquérito é apurar a maneira como foi executada a ordem de atacar o S. Paulo que estava revoltado.

Posso affirmar que foi executada com o maximo interesse e com a rapidez compativel com as condições do navio no momento em que recebi a ordem." (42:3)

*

*   *

Eram intrigantes as questões, que continuavam sem resposta, relativas àquelas duas ordens de Castro e Silva, as quais contribuíram para retardar o inicio do ataque. Por quê os submersíveis tiveram que suspender do contrabordo do Ceará, que estava fundeado à noroeste da ilha das Cobras, e vir atracar nas docas do Lloyd para iniciar os seus preparativos? Por quê não fôra autorizada a ligação das cabeças de combate nos torpedos nos tubos?

A gravidade da situação e a presteza da ação a ser empreendida pareciam indicar que os submersíveis, sujeitos à condição de prontidão rigorosa, devessem estar municiados com torpedos dotados de cabeça de combate nos tubos de lançamento, e devessem suspender do contrabordo do tênder Ceará diretamente para o alvo determinado, o São Paulo. A resposta explicação, que não era da competência de Pinto Lima, e sim da autoridade superior, no caso Castro e Silva, não tem registro em nenhum documento conhecido.

Pinto Lima descreveu, pormenorizadamente, os eventos desse período. Ao receber às oito horas e dez minutos a ordem verbal de Pinto da Luz, Alexandrino e do Comandante da Flotilha, sua guarnição se encontrava no rancho, que foi imediatamente interrompido. Às oito horas e trinta minutos dasatracou do Ceará, seguindo para as docas, de onde suspendeu, novamente, às dez horas e quinze minutos. Nas docas despendeu, apenas, o mínimo de tempo necessário para efetivar a faina de trocar as cabeças dos torpedos, segundo as limitações que mencionou:

"Estando ambos os torpedos nos tubos, com as cabeças de exercicio ligadas e as de combate nos cabides, sendo o compartimento do Submersível bastante acanhado para a manobra, foi impossivel preparar em menor tempo os dois torpedos, apezar da vontade firme que todos tinham em atacar, sem demora, o S. Paulo." (43:3)

Clemente Pinto, como encarregado do IPM, propôs-lhe, formalmente, o seguinte quesito, pertinente à situação vivida, e cuja resposta, incluída nos autos, evidenciaria se o F-3 teria tido, ou não, condições técnicas de efetuar o ataque torpédico:

"Si, quando sahiu da doca do Lloyd, as 10-15 horas julgou ser possivel um ataque ao S. Paulo, dando esse navio uma marcha de 6 milhas e navegando o mesmo navio em rumo natural á barra e depois ao Sul, tendo em consideração a posição em que o referido navio se achava as 10-15?"(44:7)

a resposta de Pinto Lima foi pela impossibilidade, assim justificada:

"Tal ataque não era possivel, porquanto o Submersivel mergulhado, com casco sujo, como já estava, não desenvolveria a sua velocidade maxima de experiencia, podendo dar, na melhor das hypotheses, sete milhas; e que mesmo que o S. Paulo estivesse em velocidade de seis milhas, ainda o ataque era claramente impossivel, porque o S. Paulo levava uma distancia de 4 milhas e no fim de uma hora, que o Submersivel poderia navegar a toda velocidade (si estivesse com a sua bateria em plena carga) os dois navios estariam separados de uma milha, o que tornaria impossivel o tiro para os nossos torpedos." (45:10)

Outra proposição, de caráter igualmente técnico, simulando uma situação alternativa de operação para o submersível, foi-lhe apresentada pelo encarregado do IPM:

"Si nas condições em que se achava o "F-3", quanto ás baterias e o tempo fóra do dique, recebendo ordem ás 8-10, poderia ser feito o ataque ao S. Paulo, levando em consideração haver o mesmo transposto a barra ás 11 horas, gastando o Submersivel 1-30 para o seu preparo, e sahindo da sua amarração directamente para o ataque?"(46:11)

Nova resposta negativa de Pinto Lima, demonstrando que a ação, como apresentada, era irrealizável:

"Ainda nestas condições o ataque era impossivel pelas razões que passa a expor: Quando recebeu ordem de atacar o S. Paulo ás 8-10, a sua guarnição estava no rancho, que fez interromper, gastando nisso e para guarnecer o navio cerca de 5 minutos; gastando 1-30 para preparação, só ás 9-45 poderia desatracar do Tender; para desatracar e mergulhar gastaria no minimo 10 minutos, restando 1-05 para chegar á barra. O navio achava-se fóra do dique há cinco mezes, de maneira que o maximo de velocidade em imersão era de 4,5 milhas, conforme verificou posteriormente. Achando-se as baterias com a densidade de 1,20, o Submersivel só poderia andar 25 minutos na máxima velocidade em immersão, portanto 1,7 milhas, faltando 2,8 para chegar á barra, e dispondo para isso de apenas 40 minutos, faltando 0,8 milha para attingir o S. Paulo, o que tornava o ataque impossivel para os nossos torpedos. Ha accrescentar que a bateria do F-3 já tem mais de 50 cyclos, que 36 accumuladores délla foram attingidos por água salgada, e que portanto a sua capacidade deve estar muito diminuída e, entretanto, a resposta foi formulada como si a bateria estivesse em optimas condições."(47:11-12)

Concluiu, então, Pinto Lima, a resposta ao duplo questionamento, com as razões que lhe pareciam mais adequadas:

"Resumindo, pode declarar que nas condições que se apresentaram, o ataque só seria possivel se as cabeças de combate estivessem ligadas aos torpedos, como pediu no dia 1 de Novembro, e que lhe foi negada." (48:12)

Como reforço aos seus argumentos Pinto Lima incluiu, no documento que encaminhou ao presidente, as observações feitas pelo encarregado do IPM no Relatório, e que entendera lhe serem favoráveis:

"gastou algumas linhas do seu relatório enaltecendo a minha acção."(49:12)24

O Presidente Bernardes, após conhecer o documento chamado Memorial, despachou, de próprio punho, no alto da primeira página, "para resumir e informar", enviando-o ao SubChefe da Casa Militar, Moraes Rego, que na manhã do levante do São Paulo, fora o portador da autorização presidencial para torpedear o São Paulo, e que, após avistar-se com Pinto da Luz, movimentara-se para as docas. Aí, pessoalmente procedeu a transmissão formal da ordem ao comandante Pinto Lima, que lhe comunicou estar pronto para suspender. Sua efetiva participação nos acontecimentos e o íntimo convívio com as pessoas envolvidas, habilitava-o a formular juízo preciso do acontecido, como desejava o Presidente.

Moraes Rego sumaria o processo, reconhece como correto o procedimento observado, classifica Pinto Lima como legalista e governista, concluindo favoravelmente a ele. Em manuscrito, sob o título Informação, responde logo abaixo da determinação de Bernardes:

"O Capitão Tenente Pinto Lima deseja ser nomeado para uma Commissão na Europa. Realmente ele foi sempre um official legalista, e portou-se bem durante a revolta do "S. Paulo", commandando, então, o submarino F-3.

Paira unicamente uma duvida, pelas razões pelas quaes não effectuou o lançamento de seu torpedo naquelle navio, mas, parece ter sido unicamente devido a causa completamente diversa da que lhes quizeram attribuir, pois elle é realmente muito governista." (50:12)

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Voltando a análise dos eventos

Nesse ínterim, Pinto Lima, sentindo-se desprestigiado, solicitou exoneração, que lhe foi concedida por Alexandrino, que o nomeou para um outro Comando, o da Torpedeira Goyaz. Permaneceu mais dois meses e meio na função, até completar o tempo habitual, transmitindo o cargo em 21 de janeiro de 1925 ao Capitão-Tenente Hernani Fernandes de Souza.

A permanência de Pinto Lima no posto de Comandante do F-3,possibilitando- o a cumprir o requisito de comando, contrasta com o conhecido rigor adotado por Alexandrino contra os seus desafetos25, e àqueles sobre quem recaíam suspeitas de conspirar. Estava em vigor o estado de sítio, que autorizava o Presidente, mediante denúncia policial, mandar deter e desterrar os indigitados, para longínquos pontos do território nacional, tais como a ilha da Trindade e Clevelândia.

Em 25 de outubro Alexandrino comunicou ao Presidente que o Capitão de Corveta João Bonifacio de Carvalho e o Capitão Tenente Esculapio César de Paiva foram

"presos por denuncia da policia fazendo parte do grupo de officiaes que ultimamente eram vistos constantemente com o Commandante Protogenes." (51)

O Capitão de Mar e Guerra Octavio Perry, os Tenentes Paulo Mario da Cunha Rodrigues, Yomar Marques Neves, Joaquim Carlos do Rego Monteiro e diversos outros oficiais permaneceram detidos por até dois anos, como os três últimos mencionados, mesmo sem responder a processo, ou ter culpa formada. Os presos, num total de quarenta e seis oficiais, foram distribuídos por vários locais, entre os quais a ilha Rasa e a fortaleza de Santa Cruz, onde se encontrava o maior número, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Em outra ocasião seriam enviados para as ilhas da Trindade, Grande, Bom Jesus, das Flores e Fundão.

A relação nominal e o local de detenção de cento e vinte três praças, incluindo muitos que não participaram dos levantes, o que era do conhecimento de Alexandrino, foram mantidos em rigoroso sigilo. Lemos Basto, encarregado do IPM para apuração dos fatos, necessitando ouvir o depoimento de vários militares e funcionários civis, oficiou à Diretoria Geral do Pessoal, que despachou para a Diretoria do Pessoal, esta encaminhando o expediente ao Batalhão Naval. Este atendeu parcialmente o solicitado, esclarecendo que quanto aos restantes:

"somente o Gabinete do Exmo. Sr. Ministro da Marinha poderá informar." (52:679)

Retornando ao Diretor do Pessoal, foi o expediente encaminhado ao Gabinete do Ministro, tendo sido respondido por Alexandrino em despacho de próprio punho:

"Acham-se embarcados no paquete Commandante Vasconcellos, que seguiu viagem para o norte da Republica. Em 30-12-924."26 (53:678)

Em uma segunda relação, referente à solicitação inicial de Lemos Basto, o Ajudante de Ordens do Ministro Carlos da Silveira Carneiro completou com os vinte e cinco nomes que faltavam, em expediente intitulado

"Pessoal que seguiu para a Ilha da Trindade.

Relação nominal das praças que se acham presas como indiciadas no movimento de rebellião projectado na flotilha de submersíveis e que contra os quaes nada foi apurado." (54:600)

Pinto Lima prosseguiu em sua carreira, iniciada como chefe de classe da turma de aspirantes de 1908. Ascendeu ao almirantado, e a sua última função foi a de Ministro do Superior Tribunal Militar.*

Ao chegarmos a este ponto, parece-nos, sem a menor sombra de dúvidas, que o encadeamento dos fatos, como narrados, vis-a-vis as limitadas condições operativas da Flotilha de Submersíveis, do incidente desagradável narrado por Guilhobel, e em decorrência da Informação prestada por Moraes Rego, os esclarecimentos de Pinto Lima, mais as suas respostas dadas às duas proposições formuladas por Clemente Pinto no IPM, reconstituem e ratificam a história de um punhado de homens que defenderam seus pontos de vista, deixando rotulado, para a posteridade, a qualificação de "adequado" para o procedimento daqueles submarinistas, apodados, afoitamente, "da maior má vontade e de não terem coragem para aderir ao movimento."

Ao terminar o dia quatro, as providências ordenadas por Alexandrino para impedir que o São Paulo saísse barra afora resultaram infrutíferas. O ataque aéreo contou com o emprego de três hidroaviões de bombardeio, tipo F-5-L. O primeiro, pilotado pelo Capitão-Tenente Deodoro Neiva de Figueiredo, e tendo como tripulantes o Capitão-Tenente Antônio Appel Netto e o 1º Tenente Hugo da Cunha Machado, avistou o São Paulo, cerca das doze horas, navegando em rumos de zig-zag, nas proximidades da ilha Rasa. Lançadas as cinco bombas que carregava, nenhuma atingiu o alvo. Posteriormente, ao entardecer, mais dois F-5-L, comandados pelos 1º Tenentes Engenheiro Maquinista Mario da Cunha Godinho e Fileto Ferreira da Silva Santos, respectivamente, decolaram em busca do São Paulo, mas regressaram, devido à cerração reinante e o cair do anoitecer, sem conseguir avistá-lo.

O Minas Geraes após receber os licenciados, o Comandante da Esquadra, e diversos oficiais que se apresentaram como voluntários, ficou pronto para suspender. Largou da bóia às dezessete horas e sete minutos, saíu barra afora, mas regressou pouco tempo depois sem ter obtido contacto. Retornou para o poço dos encouraçados onde, às dezoito horas e quarenta e três minutos, largou o ferro de boreste, com cinco quartéis de amarra. Permaneceu nesta posição mais de vinte e quatro horas, voltando a suspender no dia seguinte, cinco de novembro, às vinte e uma horas e quatro minutos, quando retomou a busca do São Paulo. Navegando para o sul, foi acompanhado pelo cruzador Barroso, contra-torpedeiros Amazonas e Rio Grande do Norte, o carvoeiro Benevente, e o rebocador Commandante Dorat, os dois últimos do Lloyd Brasileiro, e o navio faroleiro Tenente Lahmeyer. Acossados pelo mau tempo, todos buscaram abrigo na enseada de Arvoredo, ao norte da ilha de Santa Catarina, tendo o Minas Geraes fundeado às sete horas e quarenta e cinco minutos do dia oito.

Na expectativa de que as condições meteorológicas amainassem, a Esquadra permaneceu fundeada até ao dia dez. Nesta data, o ministro recebeu a informação de que o São Paulo navegava em águas uruguaias. Alexandrino ordenou, então, o cancelamento da busca e transferiu-se, imediatamente, para o Barroso, que suspendeu às dezenove horas e quarenta e cinco minutos, diretamente para o Rio de Janeiro, onde chegou, no dia seguinte, cerca das vinte e três horas.

No livro histórico de navios (SDGM), relativo ao submersível F-3, consta que

"nos dias 04 e 11 de novembro de 1924, realizou incursões contra o encouraçado SÃO PAULO, que se rebelara."

No Memorial que encaminhou ao Presidente Arthur Bernardes, Pinto Lima incluiu a informação que lhe chegara oficiosamente, e que, provavelmente, ilumina e clareia a real motivação das ácidas reminiscências imputadas aos submarinistas, naquela manhã de quatro de novembro de 1924.

"De que esta minha exoneração foi feita para satisfação ao publico e á Marinha." (55:12).

 

PALAVRAS FINAIS

Depois de conhecer melhor como se desenrolaram os acontecimentos, e ao correr da pena quase me sentindo viver naquela época, também quase que por milagre foi se desvanecendo a mágoa produzida pela avaliação infundada do desempenho dos nossos pioneiros no serviço de submarinos. Esta aflitiva mágoa foi se apequenando, a ponto de se tornar desprezível, em face da visão de que o pessoal da Flotilha de Submersíveis agiu segundo o ditame de suas consciências, da forma como lhes facultava a conjuntura.

O não tão democrático momento em que viveram naquele período da República, os encontrou dedicados inteiramente aos seus afazeres navais, mas não a ponto de embotar-lhes o sentido de justiça, demandando muita coragem moral e física para assumirem posturas em defesa de seus ideais. Fossem governistas ou revoltosos, assumiram seus papéis, e lutaram por sua convicções.

Foram frutos da Flotilha de Submarinos,

"Escola de oficiais brilhantes e de brilhantes suboficiais e marinheiros, que pagou fartamente à Nação, os sacrifícios com ela feitos pelo Tesouro Nacional..."(56:147)

Estas foram palavras do CMG Frederico Villar, ao se dirigir à Flotilha, por ocasião em que era desfeita, por baixa dos seus heroicos navios.

Ao longo de toda a obra "A vida nos FF", que registra em curtas crônicas as experiências vividas pelos diversos comandantes dos FF e suas guarnições, somente uma única vez é feita menção à situação aflitiva da época, nas palavras de despedida de Villar, ao afirmar que a Flotilha

"deu a Nação esse 'Espírito da Marinha' - solido, inabalavel, glorioso e imortal ....; deu-lhe a energia moral de que foi prova formidavel a Divisão Naval de Operações de Guerra ...."

e deu-lhe, finalmente

"essa formidavel resistencia ás seduções mentirosas e miseraveis da política partidária demolidora da disciplina e da eficiencia dos instrumentos sagrados da Defesa Nacional, que são os navios da Esquadra, que laboriosamente levamos todo esse tempo, desde 1914 ... constituindo entre nós, com esses velhos navios, uma pequena, mas uma das mais eficientes esquadras do mundo - como organização - justamente para não dizer só por isso - pelo 'Espírito da Marinha', que a afastava de tudo quanto não fosse a dedicação, a renuncia e o estudo das coisas profissionais, para a Defesa da Patria!"(56:148)

Ainda no mesmo documento Villar sintetiza magistralmente a especialidade:

"É preciso haver penetrado em um submarino, mesmo nos de maior tonelagem das grandes marinhas estrangeiras, para ter-se uma idéa da complexidade daqueles 'relogios' complicados e cheios de aparelhos e instrumentos delicados, funcionando em reduzidissimo espaço! Ser submarinista é provar, no mais alto gráo, uma grande capacidade física, intelectual, tecnica e moral!

Ë preciso ser forte na verdadeira acepção do termo e dar á patria tudo: a saúde, o tempo, a inteligencia e o risco constante da vida, em plena paz!" (56:147)

 

 

A esses homens, não lhes podia faltar a coragem!


Bibliografia.

  1. ALVES DE SOUZA, Carlos. Um embaixador em tempo de crise. Rio de Janeiro. Ed. Francisco Alves. 1979. 361p.
  2. PEREIRA CASCARDO,Francisco Carlos. A Revolta do Encouraçado São Paulo. A História Como Aconteceu. RMB, V.120 nº 10/12 out/dez 2000.
  3. SOBRAL PINTO, Heráclito Fontoura. Denuncia Apresentada pelo Procurador Criminal Interino ao Exmo. Sr. Juiz da Primeira Vara Criminal. Districto Federal,9 de março de 1926. Superior Tribunal Militar, 1º Volume, fls. 23.(Também in A Insurreição do Encouraçado S. Paulo. Denuncia Offerecida. Folheto Biblioteca da Marinha. Imprensa Naval. 1926)
  4. Ministério da Marinha. História Naval Brasileira, Quinto volume, Tomo II. SDGM. 1985.
  5. MACEDO SOARES, Gerson. A Acção da Marinha na Revolução Paulista de 1924. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1932. p. 11, 12, 14, 15 e 16.
  6. AMARAL PEIXOTO, Augusto. Autobiografia. FGV/CPDOC, Fundo Augusto do Amaral Peixoto Junior. S.e.d. P.10, 11, 12 e 16.
  7. MACEDO SOARES, Gerson. Op. Cit. P. 152.
  8. SÁ BRITO DE SOUZA, Aldo. A Flotilha de Submersíveis e os Acontecimentos
  9. Revolucionários de 1924. O Jornal, Districto Federal, Quarta-feira, 19 de janeiro de 1927. Rio de Janeiro.

  10. SÁ BRITO DE SOUZA, Aldo. Op. Cit.
  11. SÁ BRITO DE SOUZA, Aldo. Op. Cit.
  12. SÁ BRITO DE SOUZA, Aldo. Op. Cit.
  13. ACHÉ, Attila Monteiro. Julgamentos Históricos - Recurso Criminal n. 553 - A Conspiração Protogenes. Supremo Tribunal Federal, Distrito Federal, 26 de fevereiro de 1927. P. 28.
  14. ACHÉ, Attila Monteiro. Depoimento Prestado ao Serviço de Documentação da Marinha. Fita nº 3. Rio de Janeiro, 1975.
  15. ACHÉ, Attila Monteiro. A Conspiração Protogenes Pereira Guimarães - Razões de Recurso. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1926, p. 20.
  16. PINTO LIMA, Armando. Memorial do Commandante Pinto Lima. Arquivo Público Mineiro. Fundo Arthur Bernardes, Caixa 118, Pacote 318, Documento nº 62.
  17. SÁ BRITO DE SOUZA, Aldo. Op. Cit. P.1.
  18. ACHÉ, Attila Monteiro. Depoimento Prestado ao Serviço de Documentação da Marinha. Op. Cit.
  19. ACHÉ, Attila Monteiro. A Conspiração Protogenes. Op. Cit. P. 20.
  20. BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Julgamentos Históricos - RCr 553 - A Conspiração Protogenes. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 26 de fevereiro de 1927, p. 38 e 39.
  21. ACHÉ, Attila Monteiro. A Conspiração Protogenes . op. Cit. P. 20 .
  22. ACHÉ, Attila Monteiro. Depoimento Prestado ao Serviço de Documentação da Marinha. Op. Cit
  23. ACHÉ, Attila Monteiro. Depoimento Prestado ao Serviço de Documentação da Marinha. Op. Cit.
  24. ACHÉ, Attila Monteiro. Julgamentos Históricos - RCr 553. Op. Cit. P. 29.
  25. PINTO LIMA, Armando. Op. Cit. P. 3.
  26. PINTO LIMA, Armando. Op. Cit. P. 4 .
  27. SÁ E ALBUQUERQUE, Olympio. Despacho de Impronúncia. Recurso Crime n. 553. A Chamada Conspiração Protogenes. Supremo Tribunal Federal. Memorial dos Recorridos. O GLOBO, sd., Rio de Janeiro, p. 153.
  28. BRASIL. Ministério da Marinha. Livro de Quarto do Tender Ceará. Serviço de Documentação da Marinha, Microfilme 597 /006 /418, q. 1215.
  29. BRASIL. Ministério da Marinha. Livro de Quarto do Tender Ceará. Op. Cit. Q. 1216.
  30. CASTRO E SILVA, José Machado. Julgamentos Históricos – Recurso Criminal n.553 .Op. Cit . p. 42.
  31. BRASIL. Ministério da Marinha. Livro de Quarto do Tender Ceará. Op. Cit. Q. 1217.
  32. ALENCAR, Alexandrino. Relação de Oficias Presos, encaminhada ao Presidente Arthur Bernardes. Rio de Janeiro, 25 de outubro de 1924. Arquivo Público Mineiro . Fundo Arthur Bernardes . Caixa 86 , Pacote 292 e Documento nº 1815.
  33. ACHÉ, Attila Monteiro. Depoimento prestado ao Serviço de Documentação da Marinha. Op. Cit.
  34. AMARAL PEIXOTO, Augusto. Memória da Revolução. Montevidéu , Uruguai FGV/CPDOC. Arquivo AAP, sd. P 11.
  35. AMARAL PEIXOTO, Augusto. Autobiografia. Rio de Janeiro. FGV/CPDOC. Arquivo AAP. Se. Sd. P. 21.
  36. PINTO DA LUZ, Arnaldo. Comunicação do Chefe do Gabinete ao Exmo. Sr. Ministro da Marinha. Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1924, p. 1. Serviço de Documentação Geral da Marinha.
  37. PINTO LIMA, Armando de. Op. Cit. P. 7 e 8.
  38. HERMES, Mario Jorge da Fonseca. Os Militares e a Política durante a República( Parte XXX ). Rio de Janeiro. Revista Marítima Brasileira, out/dez. 1999, vol 119 nºs 10/12, p. 57.
  39. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima , op. Cit. P. 1.
  40. GUILHOBEL, Renato de Almeida. Memórias. Rio de Janeiro. 1973.Fundação IBGE. P.154.
  41. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima. Op. Cit. P. 7.
  42. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima. Op. Cit. P. 3.
  43. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima. Op. Cit. P. 7 3.
  44. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima. Op. Cit. P. 7 10.
  45. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima. Op. Cit. P . 10.
  46. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima. Op. Cit. P. 11.
  47. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima. Op. Cit. P. 11 e 12.
  48. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima. Op. Cit. 12.
  49. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima. Op. Cit. 12 (47A)
  50. LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima. Op. Cit. P. 1 12. (48)
  51. LIMA , PINTO . Memorial do Commandante Pinto Lima – Informação Prestada pelo Capitão-d-Corveta Moraes Rego ao presidente Arthur Bernardes . Op. Cit . Capa .(48 A)

  52. ALENCAR, Alexandrino .Presos por denuncia da Policia como fazendo parte do grupo de Officiaes que ultimamente eram vistos constantemente com o commandante Protogenes .Gabinete do Ministro da Marinha , 25 de outubro de 1924 . Arquivo Público Mineiro , Fundo Arthur Bernardes , Caixa 86 , Pacote 292 , Documento 1815 . (48 B)

  53. . BRASIL. Superior Tribunal Militar. Inquérito Policial Militar do Encouraçado São Paulo. Rio de Janeiro, 1924, fl. 679. Superior Tribunal Militar. (49)/li>

  54. BRASIL. Superior Tribunal Militar. Inquérito Policial Militar do Encouraçado São Paulo, op. Cit. Fl. 678.(50) 
  55. Superior Tribunal Militar. Inquérito Policial Militar do Encouraçado São Paulo . op. Cit. Fl. 600 . (51)
  56. . LIMA, Pinto. Memorial do Commandante Pinto Lima . op. cit. p. 12.(52)
  57. Ministerio da Marinha. Imprensa Naval. A Vida nos "FF". 1914-1934. S.e.d.

 

 


NOTAS:

17.  Hercolino Cascardo, que servia na ocasião no Encouraçado São Paulo, cursou a especialidade de submersíveis em 1934, tendo alcançado o segundo lugar no cursos, o que lhe valeu comissão na Inglaterra, juntamente com o Capitão Vitorino Maia, primeiro classificado

18. Com esta ordem o comandante do Minas procurou evitar a iniciativa de atirar contra o São Paulo, demonstrando intenção de só fazê-lo caso aquele navio disparasse contra a cidade, causando males à população, ou contra o próprio Minas Geraes.. Isentava-se, assim, da responsabilidade deste ato.

19. Pico, forte construído no começo do século XVIII, era anteriormente conhecido como Sào Luís. Em 1938 passou a ser chamado de forte do Rio Branco, em homenagem ao Barão do mesmo nome. Fica localizado em Niterói, atrás da Fortaleza de Santa Cruz, em plano mais elevado. Dotado de canhões de 280 mm, era mais temido pelos navios do que o forte de Santa Cruz, que só dispunha de canhões de 150 mm.

20. No ofício nr 1.121 de 12 de novembro de 1942, do comandante do 1º Grupo de Artilharia de Costa e Fortaleza de Santa Cruz ao comandante do Setor Leste, e no Boletim Regimental nr 255 de 5 de novembro de 1924, do comando do forte de Copacabana, encontramos descrição pormenorizada do bombardeio efetuado pelas fortalezas contra o São Paulo. O primeiro documento está arquivado no Arquivo Histórico do Exército, enquanto o último, no próprio forte.

21. Entrou para a Escola Naval em 1908, cursou o aperfeiçoamento em submarinos, sendo promovido por merecimento até Almirante de Esquadra. Ministro da Marinha nos anos de 1951 a 1954 e chefe do Estado maior da armada em 1965 e 1957.

22. Solicitação dirigida por Pinto Lima em 1926 ao Presidente Bernardes, em que relata como se passaram os acontecimentos na Flotilha de Submersíveis, desde a revolução de Isidoro em São paulo à conspiração Protógenes, e os acontecimentos qm que tomou parte no dia do levante do Encouraçado São Paulo. arquivo Público Mineiro, Fundo arthur Bernardes, Caixa 118, Pacote 318, documento 62.

23. Castro e Silva, segundo todos os depoiomentos escritos na Marinha, foi um oficial exemplar, brilhante mesmo. Faleceu em um acidente em via pública, quando era Ministro do supremo Tribunal Militar. Cursado em torpedos, certamente teria tido suas razões, que não conseguimos levantar, para nào dar a ordem para instalação das cabeças de combate diretamente nos torpedos, como sugerira Pinto Lima. Talvez razões de segurança, mas são apenas conjecturas. O fato é que Pinto Lima, incomodado com o IPM, procurou valorizar o fato para explicar a impossibilidade do ataque. ficará sempre a dúvida - se Castro e Silva tivesse autorizado a instalação, o sucesso do torpedeamento do São Paulo, teria sido inevitável?

24. Há muitos fatos curiosos sobre a "Conspiração Protógenes" e a tentativa de revolta na Flotilha de Submersíveis, creio que de especial interesse para os leitores, como, por exemplo, o julgamento dos envolvidos - um dos processos teve como foro a justiça civil federal, e não a militar. Outro fato curioso, como mostram os registros, é que a Marinha instaurou IPMs mais para consumo interno, pois quem realmente fez os inquéritos policiais, que constam, e são citados no processo penal, foi a polícia do Marechal Fontoura. A denúncia, no caso do Encouraçado São Paulo, foi apresentada pelo procurador federal interino Heráclito Fontoura ds Sobral Pinto, relacionando 33 acusados. Um número razoavelmente modesto, em face do número muito maior de pessoas presas. O juiz da 1ª Vara Federal, Olímpio Sá e Albuquerque, após receber a denúncia, anulou o processo por julgá-lo improcedente e cheio de erros, como, por exemplo, confissões forçadas de alguns marinheiros. Sobral Pinto teve que recorrer ao Supremo Tribunal Federal para que a denúncia fosse aceita e o processo aberto. O STF acolheu o recurso de Sobral Pinto, determinando que aquele juiz da 1ª Vara Federal instaurasse o processo, ao término do qual, percorrida todas as etapas, o mesmo juiz Olímpio Sá e Albuquerque absolveu todos os acusados; Sobral Pinto recorreu ao STF, instância na qual conseguiu a condenação de no máximo dez meses para Protógenes e uns outros poucos. Naquela ocasião Aché foi novamente absolvido. Os que retornaram ao serviço ativo (Protógenes foi o único a não fazê-lo) viram, na Revolução de 30, os papéis se inverterem, passando de condenados a vitoriosos, "unidos na tarefa de interesse comum: a derrubada do Governo de Washington Luís, que para eles representava o continuísmo de uma indesejada oligarquia político-econômica."(4:135)

25. Expressão utilizada para designar os oficiais que não gozavam da simpatia de alexandrino. Guillobel se considerava como sendo um deles (39:104)

26. O navio Comandante Vasconcellos levou os desterrados para Clevelândia, no rio Oiapoque, na fronteira entre Brasil e Guiana. Dos 946 prisioneiros, 491 morreram, em sua grande maioria vitimados por uma epidemia de desinteria bacilar. Os sobreviventes regressaram ao Rio de Janeiro dois anos depois, em janeiro de 1927.

N. R (RMB) Pinto Lima foi diretor da Escola Naval. Em sua gestão ocorreu indisciplina grave que acarretou a expulsão de dois aspirantes, "expulsão com direito a volta no ano seguinte" de 53 aspirantes, o que provocou o pedido de baixa de 174 aspirantes. Permaneceram na Escola, em 1948, cinco aspirantes veteranos e a turma de calouros. (Números da declaração do Ministro da Marinha conforme consta do livro " O motim - escola Naval 1948", Enelivros, 1999 de autoria do CF (Refº) Celso Franco).