COMO COMPRAR ALGUMA COISA ... ATÉ SUBMARINOS!

(PARA SUBMARINISTAS EXPERTOS)

Tudo que adquirimos, fruto de uma necessidade, o adquirimos para usar, satisfazendo aquela necessidade, e teremos que mantê-lo. Quer dizer que as funções OPERAR e MANTER estão, indissoluvelmente, associadas.

Normalmente, quando adquirimos um objeto qualquer, é, pois, para atender a um determinado propósito [REMs], seja para produzir algo, seja para prestar um serviço, pelo cumprimento do que chamamos de MISSÃO, ou de MISSÕES. Estas serão cumpridas segundo determinados perfis, que são frutos das imposições que estabelecermos. Segundo, pois, REQUISITOS OPERACIONAIS.

A contrapartida do cumprimento da missão, ou missões, é o CONCEITO DE MANUTENÇÃO, segundo o qual nos propomos a manter o objeto da aquisição, cumprindo sua finalidade

Para definir tudo isto, em termos de valores de fácil compreensão, por todos, temos que usar conceitos que sejam, igualmente, compreeensíveis para todos. É quando surgem, em nosso auxílio, os PARÂMETROS - valores constantes ou variáveis, que em questões específicas servem para definir o que se quer alcançar. [RANs]

Vamos transformar todo este encadeamento de raciocínio em um exemplo prático, para exemplicar os parâmetros aplicáveis.

Digamos que definimos a necessidade de uma pequena empresa de produção e distribuição de pizzas, e decidimos adquirir um automóvel para transporte de carga. Aí está definida a missão, ou missões, para nosso veículo (a distribuição de pizzas). Os requisitos que este veículo deverá atender serão seus REQUISITOS OPERACIONAIS (são, por exemplo, que a caminhoente deverá ter a carrosseria fechada, capacidade de transporte de x pizzas, mantendo-as aquecidas por y horas, peso máximo de mil duzentos quilos, raio de ação de z quilômetros, consumo de combustível w, velocidade tal, etc). Estas serão algumas de suas características de desempenho desejadas.

Desejamos, outrossim, que esta caminhonete funcione, sempre, sem solução de continuidade, e sem necessidade de nenhuma manutenção. Como isto é inalcançável, nas circunstâncias, já sei que ela terá que sofrer alguma manutenção, e periodicamente, serviços (lavagem, troca de óleo, etc). Digamos que eu aceite que em cada um mês (ou cada 10.000 quilômetros percorridos, como é usual), eu aceite tê-la parada por 2 dias, para as manutenções que forem programadas. Claro está, que haverá casos fortuidos de manutenção, como o caso de furo em pneus, uma sujeira que engasgue o motor, etc., quando terei que parar o veículo para manutenção, neste caso chamada de manutenção não programada, ou corretiva. O tempo total de indisponibilidade será de 3 dias, em cada 30, ou 10.000 quilômetros percorridos, em média, neste período. Aí está, então, definido o CICLO BÁSICO de funcionamento do veículo (em dias, 30-3)

Na hora da escolha do veículo, o que fazemos por meio de um benchmarking (escolha de um veículo de carga, entre os vários existentes no mercado que apresentam as melhores características que me convêm)(NOTA - se não existisse nada que atendesse aos requisitos que estabeleci, como por exemplo, voar, para se safar de congestionamentos, teríamos que desenvolver um projeto desde o início, mas felizmente este não é o caso). É muito mais econômico partir do que já existe, e procurar selecionar a melhor, até porque estaria dentro da faixa de competição no mercado que freqüentamos.

Então, estabeleço o meu primero parâmetro - a DISPONIBLIDADE de 90%. Neste caso, desejamos ter o veículo disponível, ou pronto, quando dele necessitar, para fazer tudo o que foi previsto, nas condições satisfatórias de funcionamento, 90 vezes em cada 100. Ou seja, estabelecemos a DISPONIBILIDADE de no mínimo 90% para o veículo. Durante sua vida, em cada 100 vezes de solicitação, ficaremos frustrados 10, pois alguma coisa o impedirá de sair, mas aceitamos tal circunstância. Digamos que escolhi um fabricante, a Fiat, pois o preço estava dentro do meu orçamento. Se quiser melhor disponibilidade, posso escolher uma outra marca, talvez a Mercedes, mas o preço foge ao orçamento. Por isso, 90% está bom.

Mas porque esta mudança de fabricante pode melhorar a disponibilidade? Porque a DISPONIBILIDADE é função de dois outros parâmetros, que devemos fixar, em caso de projeto, para alcançar a disponibilidade desejada, ou no caso da compra, para limitar os aspectos de custo e de manutenção: são eles a CONFIABILIDADE, e a MANUTENIBILIDADE . Quanto maior a CONFIABILIDADE, maior será a DISPONIBILIDADE. Vamos entender. Se a confiabilidade for 100%, a coisa não quebra, e a DISPONIBILIDADE será maximizada. Nem preciso de MANUTENIBILIDADE, porque nada vai falhar, e não preciso de manutenção. Mas, como preciso ainda de pequenas paradas para serviços, mesmo assim não terei a DISPONIBILIDADE absoluta de 100%. Talvez 99,95%. Beleza pura!

Tem mais. Para termos a CONFIABILIDADE 100%, sendo o modelo de confiabilidade que usamos, uma função exponencial (porque assim o escolhemos!), a relação do tempo de funcionamento t, para tempo entre falhas MTBF (t/MTBF) deve ser zero, e isto só pode ocorrer se o tempo de funcionamento for zero, ou o MTBF for infinito. Estes são limites, portanto podemos dizer que, se usamos o modelo exponencial, em função dos parâmetros t e MTBF, a confiabilidade tende para 100%, se o tempo de operação tender para zero, ou o MTBF tender para infinito. Portanto, não poderemos ter CONFIABILIDADE 100%, pelo modelo que estamos usando.

Se não o podemos ter, em função do modelo que adotamos para representar a confiabilidade, a CONFIABILIDADE de 100%, conseqüentemente não atingiremos DISPONIBILIDADE DE 100%, o que já podíamos, intuitivamente, prever.

Passemos a considerar o parâmetro MANUTENIBILIDADE, ou seja, a facilidade de restaurar ou reter o sistema em funcionamento. Quanto maior a MANUTENIBILIDAE estabelecida (tem seu preço, claro !), melhor estarei contribuindo para a DISPONIBILIDADE da nossa viatura de carga. Entenderam?

Estes dois parâmteros reunidos, conformam o parâmetro que costuma ser denominado de APOIABILIDADE. Em outras palavras, ao falar de APOIABILIDADE, estarei me referindo principalmente à CONFIABILIDADE e à MANUTENIBILIDADE.

Para atender a estes parâmetros, teremos que despender dinheiro. Se por um lado queremos que nossa caminhonete atenda as suas missões com o máximo de desempenho, estaremos tratando da sua EFICÁCIA; por outro lado, para tê-la naquele estado, incorreremos em custos. A relação entre o custo total e a eficácia obtida, por nossas escolhas, é conhecida como relação CUSTO-BENEFÍCIO (ou custo-eficácia). Como não somos perdulários, queremos que esta relação seja a melhor possível, ou seja, nossa caminhonete terá custo mínimo, em sua operação e manutenção, enquanto que dela obteremos o maior benefício. Legal, não?

Claro, que se eu estivesse projetando minha caminhonete desde o início (aquela voadora, lembram?) eu estaria o tempo todo influindo no projeto, para que isto acontecesse. Estaria, em outras palavras, o tempo todo, projetando com vistas à apoiabilidade. Esta postura é um dos principais objetivos do chamado APOIO LOGÍSTICO INTEGRADO, sendo alcançado por uma permanente atitude analítica, por meio do processo denominado ANÁLISE DE APOIO LOGÍSTICO (hoje, referida como análise de APOIABILIDADE, sendo fácil perceber a razão).

Esta análise se desenvolve sobre elementos perfeitamente definidos no projeto, os denominados elementos do ALI, que são: PLANEJAMENTO DA MANUTENÇÃO; PESSOAL E FORÇA DE TRABALHO; APOIO DE ABASTECIMENTO; EQUIPAMENTOS DE APOIO E TESTE; TREINAMENTO E DISPOSITIVOS DE TREINAMENTO; DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA; RECURSOS COMPUTACIONAIS; EMBALAGEM, MANUSEIO, ARMAZENAGEM E TRANSPORTE; INSTALAÇÕES; CONFIABILIDADE E MANUTENIBILIDADE.

No nosso caso da caminhonete de carga, alguns desses elementos já foram considerado por quem desenvolveu o projeto.

Há igualmente, algumas posturas de manutenção que nos permitem otimizar a disponibilidade: entre elas a Manutenção Centrada na Confiabilidade; a Manutenção Produtiva Total, a Manutenção Preditiva, etc.. , mas este é um outro papo.

Até um submarino é assim obtido. Veja a figura, que indica os parâmetros a serem considerados, e seus interrelacionamentos.

Pode-se perceber que não se altera o ciclo básico, sem deteriorar alguns dos parâmetros que foram inicialmente estabelecidos.

Parâmetros para obtenção de um sistema/eqipamento

OPERAR MANTER
REQUISITOS OPERACIONAIS CONCEITO DE MANUTENÇÃO
MISSÃO/MISSÕES

(PERFIS)

(PARÂMETROS DE PROJETO)
DISPONIBILIDADE
CONFIABILIDADE MANUTENIBILIDADE
APOIABILIDADE
Levantamento de Custos no Ciclo de Vida
EFICÁCIA ------------------------- CUSTO

(Análise custo-benefício)

(ANÁLISE DE APOIO LOGÍSTICO)

APOIO LOGÍSTICO INTEGRADO*

*DISCIPLINAS OU ELEMENTOS DO APOIO LOGÍSTICO INTEGRADO

PLANEJAMENTO DE MANUTENÇÃO DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA
PESSOAL E FORÇA DE TRABALHO RECURSOS COMPUTACIONAIS
APOIO DE ABASTECIMENTO EMBALAGEM, MANUSEIO, ARMAZENAGEM E TRANSPORTABILIDADE
EQUIPAMENTOS DE APOIO E TESTE INSTALAÇÕES FÍSICAS
TREINAMENTO E DISPOSITIVOS DE TREINAMENTO CONFIABILIDADE & MANUTENIBILIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura Parâmetros para definição do projeto