A ILHA MALDITA

Capítulo 3

A DESTRUIÇÃO DO PESQUEIRO

O NM EsseX suspendera de Lisboa, com sua carga de produtos eletrônicos, e se dirigia num rumo geral sudoeste em busca da costa do Brasil, onde aterraria, para depois seguir viagem costeira em direção aos portos mais ao sul. Cabo Frio era a sua meta. Sua posição atual, obtida pelo GPS, 19º 43' S e 034º 35 W. Depois de uma travessia que já durava vários dias, por mares onde não desfrutara condições muito agradáveis, finalmente encontrava águas calmas o suficiente para poder relaxar e dar adiante nas manobras diárias de arrumação e arejamento dos diversos compartimentos do navio.

Muito não podia ser feito, pois a tripulação, relativamente pequena, só dava conta da maioria das fainas que diziam respeito aos afazeres dários administrativos, de preparo de rancho, limpeza e arrumação das cobertas, além de algumas manobras de lastro para permitir o perfeito equilíbrio do navio, a medida em que seus motores diesel iam consumindo o óleo combustível.

No crepúsculo vespertino daquele dia , depois que o oficial de navegação anotara a sua posição na carta, e a comparara com suas observações astronômicas, o que sempre fazia para não perder a prática, um pequeno grupo da guarnição, dos que não estavam de serviço no momento, descansava no convés, logo após o rancho da noite, aproveitando a brisa fresca que soprava leve, numa composição de vento aparente decorrente daquele provocado pelo deslocamento do navio, com o nordeste de quase oito nós.

Já escurecia quando avistaram, aproximadamente pelo través de bombordo, um estranho objeto, talvez de grades dimensões, quase que flutuando na linha do horizonte, emitindo certo brilho que mais se assemelhava ao de uma estrela quando avistada no crepúsculo. Pararam de falar, surpresos com o acontecimento, mas logo a visão desvaneceu, e se entreolharam sem nada comentar, cada um com medo de fazer referências a algo inusitado que poderia ter sido mera criação da sua imaginação, e que poderia, finalmente, vir a ser ricularizado pelos demais. Que todos tinham visto a tal aparição era sem sombra de dúvidas, pois pararam de falar quase que instantaneamente, quando o estranho objeto aparecera. Mas foi tão rápida a aparição, já esta tão escuro, que a faixa de brilho tênue como se caracterizara, deixara dúvidas quanto a sua realidade.

Assim, sem dar maior importância ao fato, apesar da curiosidade ficar martelando na sua cabeças, como que em busca de explicação mais plausível do que tinham visto, procuraram evitar os comentários, e se dispersaram, cada um procurando seus aposentos para um curto descanso, antes que fossem chamados aos seus quartos de serviço.

17:18. Bela tarde de domingo, Pedro, no leme do Ymaru, pesqueiro de alto mar, acabara de fazer um ajuste no rumo para 269º, de modo a demandar a costa brasileira, na altura de Vitória, seu porto de destino. Há cerca de um dia de viagem deixara para trás a última posição radar da Ilha da Trindade, e assim amarrado, corrigira o rumo para alcançar a costa numa posição favorável. Logo escureceria, e como não navegava em área de tráfego marítimo muito intenso, seus homens podiam antever uma noite calma e tranqüila, permitindo algum descanso. As câmaras frigoríficas estavam abarrotadas de pescado, o que lhes renderia um bom remuneração no mercado.

 

 

 

Pouco antes de terminar o crepúsculo, e cair a noite totalmente, Rai , do convés da proa, onde ajeitava algum material da embarcação usado na pesca, chamou a atenção de Pedro para a sombra de um estranho objeto, avistado na direção da derrota, e que parecia se aproximar com incrível velocidade. Logo escureceu, mas todos da tripulação que se encontravam cobertas acima, o avistaram. Não podiam, definitivamente, estabelecer sua forma. A luz que ainda restava era muito pouca, e a medida que o objeto variava sua marcação, caindo para o través do pequeno pesqueiro, ficava cada vez mais difícil vê-lo e identificá-lo. Pelo pouco que observaram, imaginavam sua forma como a de um grande prato, diâmetro aproximado de uns seis a dez metros, flutuando e se deslocando na altura do horizonte. Antes de alcançar a marcação pela alheta, de repente, como um raio, o estranho objeto ganhou altitude e logo em seguida, numa suave curva para a direita, desceu mais ainda para o nível do mar, e logo estava voando baixo, quase parado, agora acompanhando a embarcação. Pedro, deixando o leme, aproximou-se da porta da cabine de governo e comentou, em altas vozes, com seu pessoal, a estranha aparição, que já quase não viam no escuro da noite. Podiam ainda vislumbrar algumas cintilações partindo do estranho objeto, muito embora sem precisar se se tratavam de luzes.

Eis que em manobra extremamente rápida, o estranho objeto voador guinou em direção ao pesqueiro e se aproximou, colocando-se em nível mais elevado acima da embarcação, ainda que afastado cerca de uns trezentos metros por boreste, imediatamente disparando, em sua direção, um surpreendente raio alaranjado. Cegos pela intensa claridade, os homens do barco sentiram, imediatamente, uma forte explosão. Pedro e seus homens ainda viram, no meio do forte clarão, pedaços do barco lançados para todos os lados, e em seguida, sentiram forte onda de calor, que em fração de segundos, os queimou até as entranhas, sendo mortos quase que instantaneamente.

Não houve tempo para nada, A embarcação, ou o que dela restara, rapidamente sossobrou, deixando, na superfície, manchas de óleo e alguns destroços que flutuaram, ainda por algum tempo. Nenhum sobrevivente. Foi tudo. Mais um barco pesqueiro sumiu na imensidão do AS sem a mínima explicação para as autoridades de terra, quanto ao que poderia ter ocorrido.

O oficial de navegação, do passadiço do mercante EsseX, avistou, logo após o crepúscilo daquele dia, pela bochecha de BB, o que lhes parecera ser um tênue clarão, que levemente iluminara a linha do horizonte. Mesmo sem esperar mal tempo, atribuiu o fato às descargas elétricas que ocorrem durante as tempestades, relâmpagos cujos clarões comumente se avistam a grandes distâncias no mar, no escuro da noite. Logo aflorou, em sua memória, a possibilidade de novamente ocorrerem tempestades como as que tanto os havia incomodado dias antes. Mas logo esqueceu o incidente.

Dias depois, em face do Ymaru não ter regressado, foi acionado o serviço de busca e salvamento. Suas aeronaves vasculharam a área, mas não encontraram nenhum vestígio do pequeno pesqueiro.

(Continua)