IÇA O DOIS!

DOS LSAR AOS DEX

Artigo 42_2                                                                      ano 2012                                                                               VAlte (Ref) Ruy Capetti   

[Atenção: pelo conteúdo técnico, trata-se de um artigo de de maior interesse para aqueles que lidam com o ALI (nos moldes do ILS), sem o que muitos dos termos e abreviaturas empregados, embora de uso corrente e algumas vezes frequentes, poderão não ser compreendidos.

Porém, o autor julga que sua leitura seja de utilidade para aqueles que tem a obrigação de apoiar o desenvovimento do ALI (nos moldes do ILS), uma vez que, embora referemte a outro país, serve de alerta para o atual estado da tecnologia empregada no gerenciamento da produção e intercâmbio de dados de apoio logístico na metodologia do ALI (nos moldes do ILS), e da sua importância para o relacionamento com as indústria de defesa. ]

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A REFORMA DO PROCESSO DE OBTENÇÃO NO DoD (USA).

Em 15 de março de 1994, o Secretário de Defesa (DoD-USA) William J. Perry promulgava o documento datado de 9 de Março do mesmo ano - Acquisition Reform — A Mandate For Change - para os chefes mais antigos do Departamento de Defesa dos EUA, onde definia qual o problema e quais as mudanças necessárias. Colocava o Secretário, naquele documento, que:

“The Post-Cold War era poses a new set of political, economic, and military security challenges for the United States: regional or limited conflicts; proliferation of weapons of mass destruction, both nuclear and nonnuclear; risks to its economic well-being; and the possible failure of democratic reform in the former Soviet Bloc and elsewhere. The President and Secretary of Defense are committed to maintaining the U.S. military’s edge over opponents. That means maintaining
superior people, training, logistics, and weapons system technology - the advantage the U.S. now has that allows us to deter aggression, and to prevail quickly with minimum casualties when required to employ force. The President and Secretary of Defense are committed to maintaining a lean, high-tech, agile, ready-to-fight military force during a time in which: the threats are changing and unpredictable; by Fiscal Year 1997 defense spending will have declined in real terms by over 40% from FY85; and advanced technology is increasingly available to the world.”

Tal documento deu origem à reforma do processo de Obtenção, centrado em algums pontos essenciais, um dos quais, se não o principal, otimizar a eficiência na obtenção dos produtos de emprego militar, de modo a se obter o maior desempenho com custo mínimo de posse desses sistemas de defesa. Isso seria obtido pelo foco sobre todos os custos do ciclo de vida dos sistemas (produtos), e respeitaria, acima de tudo, aquilo que os contribuintes sempre almejam com relação aos impostos que pagam.

Desse modo, procedeu-se à referida reforma, e em resumo os pontos de alvancagem para a melhoria dosprocesso podem ser sintezidos:

  • O uso da tecnologia para reduzir os custo do ciclo de vida;
  • As restrições orçamentárias vem forçando mudanças visando a uma estrutura de resposta logística mais ágil e mais eficiente; e
  • Muito pode ser aprendido do mundo comercial, no qual pressões competitivas tem conduzido à procedimentos inovativos que reduzem o tempo de resposta logístico.

 

A "MORTE" DAS MIL-STD 1388 E A MIL-PRF 49506.

Em decorrência dos atos acima mencionados, em 1996 as MIL-STD 1388 foram canceladas. Porém, passados dez anos, em 2006, ainda se observava o emprego da MIL-STD 1388 2B (86% dos programas em curso!), como fundamento para a organização dos bancos dos dados provenientes da Análise de Apoio Logístico. Embora canceladas, continuavam a servir de base para a organização desses bancos de dados, conhecidos como LSAR.

Embora tenha sido publicada a especificação de desmpenho MIL-PRF-49506 (nov/2006), Logistics Management Information (LMI)(cujo princiopal foco era suprir o DoD com método contratual para obter dados de apoio e de engenharia relativos ao apoio) com a finalidade de substituir a MIL-STD 1388 2B, substituindo o DD Form 1949 (LSAR), que organizava os dados a serem obtidos num programa de obtenção qualquer, a referida PRF não estabelecia uma estrutura adequada, e em decorrência surgiram vários problemas de organização e de intercmbio de dados entre governo e contratados principais.

 

QUE RUMO TOMAR?

Uma coisa era certa no âmbito do DoD (USA). As MIL-STD 1388 não seriam retomadas. A orientação era para seguir os padrões industriais, evitando as rigorosas especificações militares, muitas vezes dificeis de serem atendidas, outra vezes pouco compreendidas. Passou-se então usar o que ficou conhecido como "Defense Acquisition Life Cycle Framework"(conjunto de atividadesde de obtenção, tecnológicas e de logística, que ocorrem noprocesso integrado de obtenção em cada uma das fases do ciclo de vida dos produtos) para efetivamente substituir as orientações e recomendações sobre o processo de Análise de Apoio Logístico, constante da MIL-STD 1388 1A. As MIL-PRF mencionadas caíram.

  

Constatada a deficiência no intercâmbio dos dados logísticos em vários setores nas forças aramadas dos EUA, surgiu então a necessidade de rever o impacto produzido pelo cancelamento das MIL-STD 1388. Forma identificadas então as seguintes medidas a serem tomadas:

  • Constatada a necessidade de desenvolvimento de um Padrão contendo elementos de dados e suas definições para todos os elementos do Integratesd Logistics S upport;
  • Desenvolvimento de documentos de formatos para o intercâmbio de dados, exemplo: a linguagem extensível de marcação XML (Extensible Markup Language (XML)) e padrões de definição de tipos de documentos (Document Type Definition (DTD))
  • Iniciativa de uso de padrões internacionais tais como os Product Life Cycle Support (PLCS) ISO 10303 AP 239, AECMA S1000, entre outros.

Passou, então, aquele Departamento de Defesa a trabalhar com uma estrutura já vigente de intercâmbio de dados da iniciativa privada, a ele se referindo como o "Framework of the Government Eletronics and Information Technology Association" (GEIA). A norma internacional de referência foi a ISO 10303, Standard for the Exchange of Product Model Data (referida também como STEP) sendo produzidas, então, as seguintes publicações e decorrida ação:

  • GEIA STD-0007Logistics Product Data;
  • GEIA HDBK-0007Handbook and Guide para o Lifecycle Product Data; e
  • efetivamento provocando a troca da MIL STD-1388 2B para o LSAR Data Exchange.

Em outras palavras, no âmbito do DoD ocorreria a Análise de Apoiabilidade (nome com que foi cunhada a Análise de Apoio Logístico naquele contexto, e segundo as atividades definidas no Protocolo 239, seriam produzidos e registrados os dados de apoio logístico, para intercâmbio, segundo as orientações da GEIA STD-0007.

A GEIA-STD 0007tem como objetivos principais :

  • Definir os Dados Logísticos gerados durante o processo de design de um sistema, de um Produto Final ou Produto; e
  • Definir mecanismos para o intercâmbio desses dados.

Da mesma forma que da Análise de Apoio Logístico, quando o registro dos dados de apoio logístico e dos dados de engenharia referentes ao apoio logístico eram registrados em LSAR, e daí resultasse diversos relatórios e produtos logísticos consequentes, agora se obtém os mesmos elementos do ILS e produtos logísticos com melhor desempenho, tais como os Manuais técnicos eletrômicos interativos IETM, Treinamento, Aprovisionamento, Listas de peças sobressalentes, etc,

A grande diferença está na forma, formato e métodos para produção e registros de dados. Trabalha-se, dentro dessa nova tecnologia, com bases comuns de dados (as Common Source Database, CSDB) e os módulos de dados, (Data Modules) típicos do uso da XML. Aa troca de informações deve ocorrer entre todos os slementos envolvidos: diferentes sistemas externos, sistemas internos e um repositório central de informações e dados, e ou ponto a ponto entre sistemas, etc, formando padrões de trocas de dados conhecidops como padrões DEX.

O conteúdo da GEIA-STD-0007 abrange:

  • Entidades/atributos das áreas:

Cross Functional Requirements
Operations and Maintenance
Reliability Requirements and Analysis
Task Analysis
Skill and Training
Support Equipment
Unit Under Test
Facility
Transportability
Provisioning and Cataloging Requirements

  • Dicionário de Tipos de Dados.
  • Esquema (schema XML) para os Dados Logísticos dos Produtos.
  • processo de atualização/alteração
  • Esquema (schema XML) para os conjuntos de transações;
    aprovisionamento& Folha de Estilo
    acondicionamento & Folha de Estilo
    análise de tarefas.
  • Guia para alocação dos LCN, ALC, UOC.

CONCLUSÕES

Embora a tecnologia usada para a produção, registro e intercâmbio de dados de apoio logístico tenha alcançado um estágio significativo de aprimoramento, pelo uso de técnicas atuais da Tecnologia da Informação e modernas linguagens de computador, sendo notável o emprego da XML, o conhecimento da confecção dos bancos de dados segundo a metodologia relacional e a estrutura dos registros dos dados de apoio logístico na forma dos LSAR tem sua utilidade na medida que proporciona ffacilidades no entendimento das mudanças que estão ocorrendo.

O artigo alerta, por outro lado, que se se considerar a obtenção de informações dos dados de apoio logístico segundo a forma de LSAR, se estará recebendo tecnologia ultrapassada. É claro, nada impede que se receba dados de apoio logístico de sistemas sendo desenvolvidos para as Forças Armadas brasileiras na forma de LSAR, desde que se domine inteiramente a técnicas empregadas pelo uso de padrões internacionais, notadamente, no caso, as STEP, e o AP 239, e que se domine as técnicas de converter os dados LSAR para os novos formatos.

Finalmente, isso chama a atenção para a necessidade de indústrias de defesa e as Forças Armadas falarem a mesma linguagem, isto é, dominarem os mesmos conceitos e conhecimentos, para que a comunicação de dados de apoio logístico se torne realmente eficiente.