GUIA PARA CONSIDERAR A IMPLANTAÇÃO DO Integrated Logistics Support ILS (ALI).


Antes de abordarmos o ILS (APOIO LOGÍSTICO INTEGRADO na língua pátria.), cabe esclarecer que ele é parte de uma disciplina mais ampla, conhecida como LOGÍSTICA DE OBTENÇÃO (em contrapartida à Logística Empresarial).

LOGÍSTICA DE OBTENÇÃO é uma disciplina multi-funcional de gerenciamento técnico associada com o design, desenvolvimento, teste, produção, comissionamento, sustentação (apoio) e modificações visando a melhoria de sistemas custo-eficazes que atendem aos requisitos de prontidão operacional, tanto de paz como de guerra, estabelecidos por seus utilizadores”.

A LOGÍSTICA DE OBTENÇÃO se desenvolve, preferencialmente, segundo a ENGENHARIA DE SISTEMAS. O ILS é um dos processos que realiza o objetivo da LOGÍSTICA DE OBTENÇÃO acima definida.

O QUE É O ILS?

a. ILS é um processo disciplinado e estruturado que tem como finalidade definir e preparar estruturas de apoio para um sistema ou equipamento concomitantemente com sua obtenção. Apoio Logístico Integrado (ILS de Integrated Logistics Support) é basicamente a função de gerenciamento que provê o planejamento, a previsão e provisão de recursos financeiros e os controles iniciais que ajudam a assegurar que o consumidor final (ou utilizador) receberá um sistema que não somente atenderá seus requisitos de desempenho, como também poderá ser expedito e economicamente apoiado durante todo seu CICLO DE VIDA (uma das principais características do ILS  é ser SISTÊMICO, com foco no CICLO DE VIDA do produto).

O ILS tem como uma de suas metas assegurar que os vários elementos fundamentais do sistema sejam projetados para serem APOIÁVEIS, e que os elementos da infra-estrutura de apoio sejam projetados para serem compatíveis com os elementos fundamentais, e integrados entre si ( a outra principal característica do processo e ser INTEGRADO).

Os principais propósitos do ILS são:

b. O processo do ILS é tradicionalmente associado com uma grande e complexa base de dados. Na realidade, o ILS abrange numerosos processos comerciais e de engenharia que podem se beneficiar da informática para seus gerenciamentos.

O PROCESSO

O macro processo segundo se desenvolve o ILS no Departamento de Defesa do Reino Unido (DoD UK), por exemplo (como referência didática de modelo, para efeitos desta apresentação) tem as seguintes referências:

Ambas as publicações constituem uma documentação complexa contendo muitas informações que são largamente disseminadas. Embora sendo especificações de requisitos a serem aplicados aos projetos do MoD UK, constituem-se numa base de conhecimentos amplamente aproveitada na iniciativa privada, como disciplina que agrega valor à diversos produtos de natureza comercial, principalmente sistemas e equipamentos de maior complexidade.

Essa base de conhecimentos abrange um conjunto de processos estabelecidos segundo princípios consensuais de engenharia já estabelecidos:

[Nota: chamamos a atenção para a diferença que existe na língua pátria entre PROJETO e DESIGN (termo já incorporado em nossa língua). Para tanto recomendamos a leitura de Valeriano, Dalton na obra Gerencia em Projetos, da Makron Books.]

OBJETIVO DO PROCESSO DO ILS

O objetivo do ILS é fazer com que o designer considere todos as áreas de apoio. As considerações iniciais proporcionam uma estrutura de apoio dentro da qual os custos de apoio e do CICLO DE VIDA são constantemente monitorados e otimizados.

A chave da aplicação com sucesso do ILS é dimensionar os requisitos de uma maneira custo-eficaz de modo a atenderem às necessidades do projeto. Há um sem número de ferramentas disponíveis para auxiliar no dimensionamento de um projeto. Mas a experiência tem demonstrado que sem uma profunda compreensão dos processos do ILS, das disciplinas de engenharia e da direção futura do projeto, essas ferramentas nem sempre serão tão simples como pode parecer. É essencial, pois, uma abordagem bem pragmática do processo do ILS.

Recomenda-se, pois, muita atenção com a estratégia para a aplicação do ILS e sua implementação detalhada. Assim, são aspectos de serviço muito importante a observar:

Elementos do ILS

Enquanto no passado projetava-se com vistas aos custos, tal abordagem veio evoluindo, e passou-se a projetar com vistas à apoiabilidade. Porém, já há atualmente, mudanças para a abordagem de se projetar com vistas ao desempenho, dando origem a que se encontre, na moderna literatura, referências à Logística Baseada no Desempenho. Segundo tal abordagem da Logística, os Fatores de Apoiabilidade, Elementos Integrais do Programa de Especificação de Desempenho, são agora referidos como Requisitos de Desempenho, ao invés de serem declarados como elementos logísticos distintos.

“Supportability factors are integral elements of program performance specification. However, support requirements are not to be stated as distinct logistic elements, but instead as performance requirements that relate to a system’s operational effectiveness, operational suitability, and life-cycle cost reduction.” ILS\0557_Supportability_Analyses.ppt]

O ILS é dividido em uma série de domínios (referidos anteriormente como Elementos da Logística), que abrangem:

1. Disponibilidade, Confiabilidade e Manutebilidade

Considerações sobre Disponibilidade, Confiabilidade e Manutebilidade, conhecidas na língua inglesa como Availability, Reliability and Maintainability (AR&M) são os maiores ique devem ser considerados quando se desenvolve os requistos para um Sistema de Apoio Logístico. Negociações de Confiabilidade são os elementos chaves na otimização dos equipamentos.

De um modo geral devemos contar com engenheiros de AR&M para desenvolver um gama completa de análises necessárias para apoiar um programa de ILS, entre elas destacando-se, por exemplo a FMECA, RCM, FRACAS (Failure Reporting, Analysis, and Corrective Action System), MTBF and MTTR.

2. Planejamento da Manutenção

Deve haver gente capaz de analisar o Uso do Sistema e ou Equipamento e juntamente com o design determinar o CONCEITO DE MANUTENÇÃO ótimo (pode ser pessoal orgânico ou contratado). Da mesma maneira deve haver capacidade de desenvolver este conceito estudando-se o sistema de referência e pelo uso da análise de tarefas, de modo que possam ser definidas as especialidades, tarefas e ferramentas adequadas.

O Conceito de Manutenção deve leva em conta tanto o ambiente operacional como o logístico nos quais o equipamento ou sistema irá operar, bem como a estrutura organizacional dos usuários e as unidades de apoio. Deve haver gente, pois, incluindo operadores que tenham bastante experiência na área de trabalho em consideração.

3. Pessoal e Pessoal Especialista

Com consequência de suas experiências anteriores esse pessoal deve estar familiarizado com a organização que vai prover o apoio logístico. Esses operadores (ou gente contratada) devem ser capazes de identificar o pessoal e as habilitações necessárias para a operação e manutenção do sistema e seus equipamentos (a planta).

4. Apoio de Suprimentos

O apoio de suprimentos envolve a otimização do sistema de abastecimento em face a uma série de restrições que variam de projeto para projeto. Essa é uma area que vem tendo considerável desenvolvimento. Os tópicos a serem considerados são o estoque de itens de risco, o consume de sobressalentes (sobressalentes e peças sobressalentes, levantamento da demanda), garantis, private finance initiatives, avaliação constante dos ativos, apoio contratual do fornecedor, e obsolescencia. A otimização é essencial para prover um pacote de apoio realmente eficiente Deve haver gente (contratada ou orgânica) capaz para analisar a estrutura de apoio, assessorar nas propostas de services e recomendar quanto aos inventários. (custo de manter, riscos, etc). Equipamentos de Apoio e de Testes. Deve haver pessoal capaz (ou gente contratada) de identificar os equipamentos de apoio ou e de teste necessarios e classificá-los como “comuns” ou “especiais”.

5. Treinamento e Dispositivos para Treinamento.

O desenvolvimento de programas de treinamento eficazes começa com a anaálise das necessidades de treinamento. Dela decorrerá a especificação dos equipamentos de treinamento e suas ajudas. O plano geral de desenvolvimento do treinamento deverá ser estruturado para satisfazer as necessidades dos operadores, mantenedores, supervisores e instrutores (pensar na manutenção conhecida como autônoma, aquela que é feita pelos operadores).

6. Documentação Técnica.

A documentação técnica necessária para operar e manter um sistema ou equipamento normalmente compreende manuais dos operadores, manuais de manutenção, catálogos ilustrados de peças sobressalentes e de ferramentas especiais. Deve haver gente capacitada (ou contratados) para preparar tais documentos, trabalhando sob uma extensiva gama de especificações, incluindo especificações nacionais ou internacionais vinculadas aos sistemas ou equipamentos e a industria fornecedora dos sistemas ou equipamentos (ex – especificações brasileiras, AECMA, da ASD, Mil Spec, etc.)

7. Recursos computacionais.

Deve haver gente capaz de (ou contratados) para assessorar sobre instalações de apoio, hardware, software, documentação e ligações necessárias de modo a estabelecer um ambiente de compartilhamento de dados, tão necessário a um programa de ILS.

8. Acondicionamento, Manuseio, Armazenagem e Transporte.

O planejamento do acondicionamento, do manuseio e do armazenamento, bem como dos aspectos de transportabilidade pode ter considerável impacto nos custos e no fornecimento. Tópicos dignos de nota incluem possibilidades de manuseio de materiais potencialmente perigosos, proteção contra estática e choques elétricos, manutenção regular, fornecimentos do material necessário com oportunidade, padrões de acondiconamento e de marcação do material, sobressalentes de pronto-emprego, etc.. Deve haver gente capaz (ou contratados) para analisar designs e identificar impactos na confiabilidade e evitar excessiva demanda de suprimentos.

9.Instalações de Apoio.

Deve haver gente capaz de identificar e justificar (ou contratados) a necessidade de quaisquer instalações de apoio especiais que sejam necessáriass para apoiar a operação, a manutenção ou o treinamento. Essas instalações podem ser dedicadas ou comuns, com resultados a serem inseridos no LSAR.


CONCLUSÃO

PELA COMPLEXIDADE E PORQUE O ILS É UM PROCESSO CARO, INFERIMOS QUE ELE:

(APENAS COMO FIGURA DIDÁTICA, PODE-SE IMAGINAR O ILS COMO A GARANTIA DE QUALIDADE, na sua atividade de SUPERVISIONAR o CONTROLE DE QUALIDADE, no caso A FUNÇÃO ILS SUPERVISIONANDO AS  FUNÇÕES LOGÍSTICAS (mais amplamente, os elementos do ILS, agora referidos como elementos de desempenho),  de modo a garantir que sejam exercidas com proficiência).

A DECISÃO DE IMPLANTAR OU NÃO

DE QUE DEPENDE POIS TAL DECISÃO?

FIM ... OU APENAS O COMEÇO?