IÇA O DOIS!

A Ilha Maldita

CAPÍTULO 2 - A MISSÃO VAlte(RRm) Ruy Capetti
 

Há muito coisas estranhas vinham acontecendo no Atlántico Sul, entre o paralelo do equador e o paralelo das Malvinas. Vários navios mercantes e pesqueiros, inclusive nacionais, tinham desaparecido sem qualquer vestígio. Nem todos, pois que destroços de uns poucos tinham sido encontrados nas proximidades da costa na altura do cabo de Santa Marta, alguns, partes típicas de navios pesqueiros de maior porte, que sofreram alguma espécie de destruição cuja origem não se tinha podido precisar. Uma análise mais detalhada dessas partes indicava certa forma de ação violenta, por explosão talvez,devido ao impacto de algum tipo de projetil.

O Comando de Operações Navias era cauteloso, ao atribuir tais destruições à fortuna do mar, sob alguma forma de tempestade, violenta bastante para afundar os navios. Com isso não concordava o Comandante em Chefe da Esquadra, pois, profundo conhecedor da área de operações do Atlântico Sul, sabia não ser comum a ocorrência naquela área de tempestades violentas para produzir tais danos. Nem mesmo ao sul, onde a fúria dos elementos se fazia presente com certa freqüência, e inusitada violência, não imaginava possível que navios do porte dos desaparecidos pudessem ser destruídos sem tempo sequer para pedirem socorro.

E mesmo que existisse fúria do mar de tal monta, haveria tempo suficiente para que os navios ameaçados pudessem enviar sinais de socorro, indicando, inclusive, sua posição.

A suspeita principal, e que devia ser mantida em sigilo, recaia na possibilidade de operação de algum tipo de navio corsário, que atacava os navios e os destruia impiedosamente, sem deixar qualquer margem para reação ou pedidos de socorro. Tudo indicava ataques pela noite, pois evitava a deteção do inimigo pelo visual, permitindo uma aproximação amigável que mesmo sujeita à deteção radar, não levantava as suspeitas das vítimas, fazendo do elemento surpresa o caminho certo e rápido para as profundezas do mar.

Mesmo com o conhecimento dos tópicos ultrasecretos que tratavam da existência de uma  Sociedade Secreta VRIL-GESSELSHAFT,  fundada logo após a Primeira guerra Mundial, com o objetivo principal de "estabelecer uma relação entre as observações de OVNI's que vinham sendo registradas desde a Idade Média, no centro-norte da Europa, e as antigas civilizações da Mesopotânea", como levantara o serviço de informações navais, e ante a possibilidade de ter sido construída, aí por volta de 1922,  uma máquina voadora para poder atingir o que chamavam de "o outro lado" da existência de uma vida extra-terrestre, com auxílio de alguma sorte de "tecnologia divina", não admitiam os Chefes Navais fazer qualquer associação das destruições dos navios com qualquer sorte de artefato do tipo considerado, principalmente para não criarem um clima de perplexidade   que, se levados os fatos ao conhecimento  público, iriam gerar gerar uma série de especulações desastrosas.

O avistamento do OVNI,  como comunicado algum tempo atrás, por ofício do comandante da estação da Ilha da Trindade, fora, por isso, descartado pelo CON, consideradas as informações como mais uma fantasia que só a permanência naquela ilha longínqua poderia explicar.

 

 

Pelo acompanhamento dos navios pelo SISTRAM, em alguns casos podia ser afirmado que o desaparecimento se dera em águas mais ao norte, atribuindo-se o encontro dos destroços ao sul de nosso litoral, várias semanas mais tarde, às correntes marítimas que os deslocavam para aquela região, antes de chegarem à costa.

Os estranhos desaparecimento, entre outras razões, acarretaram as determinações do Comando de Operações Navais no estabelecimento de patrulhas sistemáticas no extenso corredor do AS entre a África e o continente sul americano, principalmente por submarinos colocados em áreas de patrulhamento distribuídas de modo a detetar qualquer tráfego suspeito naquela região.

O estado belicoso mantido pelos Estados Unidos com a Coligação Vermelha era também uma das razões para nossas operações de patrulha. Aliados da grande nação do Norte, contribuíamos para o esforço de guerra patrulhando as águas do AS, possível corredor de entrada para um ataque de surpresa às cidades americanas mais próximas do Equador. Reforçava esta possibilade as conhecidas as atividades de um forte grupo de navios inimigos, nucleado por cruzadores da classe Sverdlov, cuja última localização fora detetada a leste de Ascensão, com rumo norte. Depois não mais receberamos qualquer notícia dos deslocamentos da força inimiga. Tal ameaça fez com que o alto comando naval do Brasil estabelecesse zonas de patrulha de submarinos segundo o eixo da menor distância de afastamento da costa africana da costa brasileira. A área a nós assinalda, localizada aproximadamente na área marítima delimitada entre os 2 aos 10 graus de latidude norte e entre10 aos 20 graus de longitude oeste, era a mais afastada de todos da nossa base. Para lá nos dirigimos, com instruçoes de procedimento em caso de deteção das forças inimigas, instruções estas que viemos a tomar conhecimento depois de aberta a carta de prego que o Comandante recebera.


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Na foto, do acervo do Serviço Secreto Naval, vemos um pequeno protótipo da máquina voadora  construída, em 1922, pela sociedade VRIL

Suspendera o Humaitá, no início do ano, como parte de um Grupo Tarefa (os Quatro Azes) que deveria se dirigir a uma longíqua área de patrulha do Atlântico Sul, com a missão de detetar e destruir quaisquer elementos navais inimigos que justificassem as hipóteses do CON.

(Continua)