O PROGRAMA DE REAPARELHAMENTO DA MARINHA E A LOGÍSTICA

VAlte (Ref) Ruy Capetti

 

ABSTRATO

INTRODUÇÃO

ESTRATEGIA COM VISTAS À DISPONIBILIDADE

NOVAS CARACTERÍSTICAS  DO CONCEITO DE MANUTENÇÃO

CONCLUSÃO

ABSTRATO – trata-se de apresentar sugestões, como se vem fazendo na Marinha Francesa, para o aprimoramento do assim chamado PROGRAMA DE REAPARELHAMENTO DA MB (PRM) a fim de incorporar a abordagem  logística em todas as atividades concernentes ao CICLO DE VIDA dos sistemas e/ou equipamentos  navais de defesa, numa estratégia implementada para manter elevada DISPONIBILIDADE, ou PRONTIDÃO OPERACIONAL, nos nossos futuros navios, com elevado desempenho e custos minimizados, e continuar com as atuais áreas de pesquisa em busca de novos  conceitos de manutenção.

INTRODUÇÃO 

            1. Levando em conta a evolução observada no mundo atual, há fortes indícios de que devem ocorrer mudanças com vistas ao gerenciamento dos ativos de defesa, a fim de fazer face às imposições que se apresentam – em especial cortes substanciais nos orçamentos atuais de material naval de defesa, indicando que, pelo menos, deva haver aprimoramento dos processos globais  de obtenção. 

            2. Nesse ambiente, ver-se-á a MB, ao mesmo tempo, as voltas com o problema de redução, quase  drástica, no número de navios, como vem ocorrendo, muito embora as missões e as operações permaneçam praticamente as mesmas, compelindo-nos a pensar na melhoria da DISPONIBILIDADE dos meios atuais. Somando-se isso ao fato da necessidade urgente de modernizar nossa frota de guerra, que vem envelhecendo rapidamente, e as limitações financeiras, pode-se avaliar quão importante é o desafio a enfrentar

            3. Esses principais requisitos limitativos tornam mandatória a adoção de elevados padrões de gerenciamento logístico por todo o Ciclo de Vida dos nossos navios. Conseqüentemente, para novas aquisições, há forte indicação no sentido de abordagem logística mais profunda nas fases iniciais de obtenção, e sobre os diversos aspectos gerenciais dos programas de obtenção, os quais devem levar em consideração, com muito maior ênfase, os requisitos de APOIABILIDADE. 

·    Entre esses aspectos, sobressai a necessidade de aperfeiçoamento do processo de gerenciamento global dos projetos, do design até a eliminação do sistema, em outras palavras, do Ministério da Defesa até a eliminação numa das forças armadas.. O conceito de ENGENHARIA CONCORRENTE, por exemplo, integrando a MB e a indústria como um único time encarregado do gerenciamento do design e do projeto, é uma consideração que não pode ser descartada e, uma vez aplicado, tenderá a tornar-se um dos pilares do progresso futuro em logística

·    Por outro lado, aplicar modernos métodos de engenharia é, agora, compulsório, muito embora ainda exista muito espaço para aprimoramentos. Um ponto interessante a considerar é a necessidade de pensar nas três forças operando juntamente, de modo a compatibilizar os programas pertinentes. Cada novo projeto, desse modo, deve levar em consideração, como resultado analítico, as necessidades globais de operação. Como exemplo, um projeto de um navio de transporte de tropas deve ser considerado não somente sob o ponto de vista de requisitos navais, mas também como uma demanda com vistas à mobilidade estratégica. Deve, desta forma, ser compatível com os sistemas específicos do Exército. Esta abordagemnovo significado à otimização e, desse modo, à logística

·    Os Projetos com vistas aos custos e a análise funcional são cada vez mais familiares aos oficiais navais e engenheiros do Material. Porém, surgem duas dificuldades principais nessa área: A primeira consiste em identificar o nível de análise funcional, em outras palavras, a quantidade adequada do esforço realizado. Os Contratados Principais, a despeito de suas reconhecidas capacitações tecnológicas, reclamam algumas vezes da complexidade das especificações e requisitos militares. O segundo problema é selecionar um adequado modelo paramétrico de custos, ou de base de dados, que permita convergir para o nível apropriado de custos do produto desejado, nem mais, nem menos

·    A competição no campo da construção naval cresce na medida em que, mais do que nunca, as solicitações de cotações são encaminhadas, cada vez mais, por meio de sistemáticos pedidos de propostas à iniciativa privada. De fato, no caso de navios auxiliares, por exemplo, onde não são tão rigorosos os padrões militares, não tem cabimento a escolha do AMRJ como nosso Principal Contratado. Nesse caso, restará a escolha dos estaleiros civis. Embora, no Brasil, os custos da construção naval sejam elevados, mesmo assim ainda podem ser competitivos, e a reconhecida eficiência da iniciativa privada, vis a vis a construção em estaleiro governamental,  para construí-los, segundo seus processos particulares, pode acarretar importantes possibilidades de redução de custos.  

·    O processo de APOIO LOGISTICO INTEGRADO (ALI) deve ser sistemático durante todas as fases do processo de obtenção. O planejamento do ALI e do contrato vêm tendo avanços na MB. Mas ainda é pouco. A diversidade de fornecedores e contratados, sejam nacionais ou internacionais, cria a necessidade de freqüentes revisões dos requisitos logísticos, os quais devem ser dimensionados  apropriadamente, de modo a estarem dentro do alcance do know-how dos contratados. 

·     Aparentemente, este é o mais difícil aspecto do ALI. Os estaleiros civis, em particular, não percebem a logística como o faz a comunidade militar. Porém, seus procedimentos de design e seus resultados são satisfatórios. Deve-se, pois, definir procedimentos apropriados de especificações. No que diz respeito aos marcos notáveis da logística, à gerência da manutenção auxiliada por computadores, e aos sistemas de apoio e banco de dados logísticos, ações de controle serão freqüentemente requeridas a fim de verificar o avanço apropriado e a concretização dos resultados (deliverables) logísticos estabelecidos. 

ESTRATÉGIA COM VISTAS À DISPONIBILIDADE 

A fim de manter o mesmo nível de atividades operacionais, a despeito do reduzido número de unidades de superfície combatentes, deve ser desenvolvida  uma estratégia específica, com vistas à DISPONIBILIDADE. São identificados, a seguir,  quatro principais aspectos inerentes no processo de projetar e de obter navios, vitais para um futura prontidão operacional eficiente.  

  1. Estabelecer elevados padrões de disponibilidade inerente. O alvo médio estabelecido para futuros navios devem recair em aproximadamente 330 dias de disponibilidade por anoeste valor pode subir para 350 dias por ano  para navios auxiliares. Participar tais metas a comunidade de engenharia e providenciar para que sejam perfeitamente entendidas, torna-se o fator chave para o sucesso dessa estratégia

  2. Definir e implementar um novo conjunto de padrões de design derivados daqueles que se aplicam aos navios mercantes. Este processo é algo similar ao que estabelecem as regras para classificação de navios da UK (UK's Naval Ship Classification  Rules). Os navios mercantes são conhecidos por navegarem mais do que 350 dias por ano. Suas características inerentes são, pois, uma boa aproximação, para se obter altas disponibilidades. Essas regras  vem sendo desenvolvidas, na Marinha Francesa, por exemplo, considerando-se principalmente o casco, o maquinário e equipamentos elétricos. É um esforço que busca demonstrar a capacitação da Marinha Francesa em obter e manter sua Esquadra de uma maneira custo-eficaz 

  3. Desenvolver  produtos de Tecnologia da Informação (TI) (softwares)  permitindo praticar  a manutenção e desenvolver sistemas de apoio auxiliados por computador. Isto inclui processamento de dados integrado com vistas ao monitoramento de condições e à manutenção preditiva, o uso da Internet para auxílio ao diagnóstico, com o Apoio  de Terra à Esquadra, por meio de por procedimentos apropriados e comunicação eficiente . 

  4. Melhorar  a postura pro-ativa global pelo aperfeiçoamento do serviço de Apoio à Esquadra. Um outro passo importante no campo da TI será o acesso a um novo site da Internet, onde sejam publicadas a demanda e pedidos de cotação. Por meio da agilização do  relacionamento comércio-consumidor o Setor do Material poderá reduzir os tempos mortos de reposição. Na França, por exemplo, o DGA  espera reduzir seus atrasos administrativos em 30%. 

NOVAS CARACTERÍSTICAS NO CONCEITO DE MANUTENÇÃO DA MARINHA BRASILEIRA . 

Quaisquer que sejam as sugestões, elas devem recair nas áreas da manutenibilidade e da confiabilidade, parâmetros responsáveis pela disponibilidade.

A permanente necessidade de navios bem distribuídos, e disponíveis, à despeito de uma esquadra menor, tem duas conseqüências diretas na manutenção. A primeira é a necessária redução do tempo de permanência nos portos e desta forma no tempo despendido em manutenção no porto. O segundo é o provável desenvolvimento da manutenção no mar. A fim de prover tais capacidades aos nossos futuros navios, o conceito global de manutenção tem que ser modificado. Como pode ser tal mudança, especialmente quando a tendência é de que as   tripulações diminuam? 

·    Aumentar a manutenibilidade no projeto é o primeiro aspecto dessa mudança. A linha de ação é investir  em equipamentos de testes e de apoio instalados a bordo (acessórios especiais, estandes de manutenção, etc) Implica também levar em consideração o fator humano, aprimorando cada vez mais a interface homem-máquina. Essas medidas contribuem para reduzir atividades de desmontagens e/ou remontagens e devem contribuir para reduzir  a necessidade de horas de trabalho de manutenção em terra

·    Implementar um apropriado nível de automação, a fim de reduzir a demanda de pessoal nos quartos de serviço e incrementar a eficiência dos homens-horas gastos em manutenção no mar, instalando oficinas adequadas a bordo, além de assegurar suficiente redundância nos equipamentos principais, deve redundar em alta disponibilidade operacional. Este aspecto é extremamente delicado na medida em que requer um sutil equilíbrio entre homens e automação·    A mudança da linha de ação de reparos diretos nos equipamentos em instalações em terra, pela troca de itens substituíveis (sobressalentes) a bordo dos navios é uma outra característica do salto cultural neste século 21. 

·    Terceirizar tarefas específicas de manutenção pode ser, também, uma boa meta  para os  gerentes de programas de manutenção. Esta última característica tem que ser ainda implementada, mas deve ajudar em se obter uma logística mais reativa.  

Os estaleiros franceses que constroem navios de guerra (DCNS) para a Marinha Francesa, aqui citada como exemplo, se valem de processos que comprovadamente aumentam a eficiência do processo de obtenção de sistemas de defesa, similarmente ao que é feito pela prática da Engenharia de Sistemas, no contexto da Logística de Obtenção. A metodologia de abordagem é conhecida como Developpment Fournisseurs no contexto da Empresa Estendida (Enterprise Ètendue).  .

Abordaremos tal metodologia em breve oportunidade. Maiores esclarecimentos consulte o link: http://www.dcnsgroup.com/achats/plan_developpement.html

CONCLUSÃO 

Essas idéias não são novas. A única novidade real reside no modo em que esses requisitos são enfatizados na fase do design. Para dar um exemplo dessa ênfase, com relação aos aspectos de confiabilidade, a Marinha Francesa vem pesquisando novos conceitos de navios, particularmente nas áreas de tipos de casco e geração de potência. A meta é fazer melhor com menos força de trabalho e com gerenciamento inteligente dos recursos financeiros.