ASSIMETRIA  ( por François Bernard Huyghe  em huyghe.fr, site do autor .)

Do site em questão extraímos as idéias do autor que conceituam a ASSIMENTRIA. Por nos parecer que o entendimento desse conceito seja muito importante, aqui o reproduzimos, com alguns comentários adicionais.

Se considerarmos a oposição que os portugueses e espanhóis impuseram as forças de Napoleão, quando da Guerra Peninsular,  e da qual umas das conseqüências foi a vinda de D. João para o Brasil , podemos notar que a aplicação dos princípios que regem o conceito de assimetria não é tão moderna assim. Explorando a superioridade do inimigo, o lançamento da guerrilha contra as tropas de Napoleão caracteriza, dentro de certos limites, a aplicação do conceito de guerra assimétrica. Vejamos.

Diz Huyghe, em sua explanação, que a noção de assimetria se emprega em biologia , em lógica , até mesmo em economia (a assimetria de informações entre vendedor e comprador ). No entanto, ela aqui nos interessa no sentido estratégico desenvolvido no decênio dos 1990. Enfatiza o autor que não se confunda assimetria com a dissimetria , "simples desproporção de forças ou de qualidades entre dois atores ." e acrescenta:" No conflito assimétrico os adversários não tem nem o mesmo estatuto , nem os mesmos critérios de vitória ou de derrota , nem as mesmas regras e métodos , não empregam os mesmos meios , em particular tecnologias;  em resumo, nada se tem de comparável. O novo conceito se opõe sobretudo à noção da guerra convencional ."

Huyghe c ita, como exemplos, terrorismo , guerrilhas , desordens mafiosas  (lembrando, por exemplo, a " guerra às drogas " jamais ganha , conflitos na zona da ilegalidade, etc) como conflitos assimétricos. Explica ele que os conflitos assimétricos opõe um " forte ", (geralmente os Estados Unidos da América, ou os Estados encarnando a globalização e a modernidade) aos fracos, que não têm nenhuma chance de se conduzirem de modo clássico . Numa confrontação força contra força , exército contra exército , economia contra economia , os fracos estarão rapidamente perdidos. Em contrapartida , o fraco é capaz de infligir ao forte um severo dano, de humilhação simbólica ou de desordem contagiosa, que atenta contra a sua imagem ou a sua moral .  O fraco não tem nenhum " ganho " ( território, por exemplo ) mas inflige uma perda insuportável, em outro terreno . Sua vitória consiste  não perder em face de um adversário que usa forças ( aqui compreendendo forças morais ), reduzindo sua sustentação até o ponto onde ele desistirá. "A duração é uma dimensão fundamental do conflito assimétrico : conquanto ele não desapareça – ou conquanto sua presença não é esquecida, o fraco não foi derrotado."

Uma estratégia assimétrica pode ser violenta e ostensiva : é o caso do 11 de setembro, ou da decapitação de reféns mostrada na televisão . Mas pode também consistir da exibição de sua própria fraqueza (uma vítima , uma criança contra um tanque ), as vezes em recurso à não-violência. A assimetria recai um tanto mais no campo da informação do que de forças . Nesse campo, o terrorismo é, por definição, o feito de organizações secretas (se elas são visíveis e permanentes , trata-se de revolução ou de guerrilha ) que combatem os adversários visíveis .

O princípio da estratégia assimétrica tende, pois, a se tornar a regra e não a exceção ; isso pressupõe um duplo paradoxo . No plano militar , faz da superioridade material um handicap político e psicológico : a quem pode servir ter mísseis inteligentes ou satélites para se contrapor a um kamikaze dentro de um ônibus ? No domínio dos conflitos ideológicos ou políticos são os símbolos chers aux partisans de la globalização feliz que se tornam as armas assimétricas ao serviços dos adversários : as novas tecnologias , les reseaux , as imagens sem fronteiras ...

A noção do conflito assimétrico muda as regras de enfrentamento, e o  impede de se limitar a um só domínio

A citação : J. Baud "Uma das particularidades da guerra assimétrica é que ela não se baseia na dimensão da superioridade , mas sobre a conversão da superioridade do adversário em fraqueza ." 

ref: http://www.huyghe.fr/actu_323.htm