O SUBMARINO CONSTRUÍDO NO BRASIL

(Assim noticiava a mídia, que em suas palavras, nem sempre exatas tecnicamente, levava ao conhecimento do público um feito histórico da nossa Marinha de Guerra.)

Globo Ciência 59 jun/1996, pag. 35-39                                                                      Wagner de Oliveira

      Ressaltando-se o fato de ser o Tamoio o primeiro submarino totalmente construído no Brasil, o artigo faz uma detalhada descrição do novo navio, o primeiro de uma série de quatro submarinos nascidos de um projeto da empresa alemão Ingenieur Kontor Lübeck, que transfere tecnologia e treina engenheiros para a construção de unidades no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

     O Tamoio, assim como seus três irmãos em construção - Timbira, Tapajó e Tabajara (o nome foi trocado, posteriormente, para Tikuna) - tem casco super-resistente - um cilindro reforçado por anéis de 6,2 metros de diâmetro - que pode resistir a pressões de 30 atmosferas. O material empregado em sua fabricação, uma liga especial chamada HY-80, é o mesmo utilizado para recobrir reatores nucleares. Esse casco é temperado nas caldeiras da NUCLEBRÁS EQUIPAMENTOS PESADOS e encaminhado ao Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) em quatro seções: popa, proa e duas partes centrais. As seções então são pintadas e recebem equipamentos e estruturas internas. As partes são depois enviadas ao dique flutuante, onde são soldadas, e finalmente o submarino é levado ao mar.

     As principais virtudes dos novos submarinos brasileiros são: automação dos sistemas, sofisticada capacidade de detecção e tamanho compacto, com 61,2 metros de popa a proa, metade do comprimento convencional, o que lhe proporciona maior agilidade nas manobras e significa menor superfície de reflexão para os sonares adversários.

     Além disso, o Tamoio e seus similares podem permanecer debaixo d'água por 50 dias, navegar submerso a uma velocidade de 40 quilômetros por hora (cerca de 22 nós) e mergulhar a até 300 metros de profundidade. Esses itens fazem com que o submarino supere os ingleses da classe Oberon, da década dos 70, que eram, até agora os mais modernos da frota brasileira.

     O armamento dos novos submarinos é composto por dez tubos lança-torpedos inteligentes Tiger Fish, que podem alcançar alvos a 15 quilômetros e afundar um navio em poucos minutos. Além disso, transportam e lançam minas através de quatro daqueles tubos. 'Com ela pode-se minar, em poucos minutos, a entrada da Baía de Guanabara ou a foz  de um grande rio' , informa um técnico do Arsenal de Marinha.

     A automação inclui cerca de 50 compu-tadores para cada sistema, que controlam o nível de óleo dos motores, a temperatura, a pressão da água, a intensidade de ruído do cano de descarga etc., contando, ainda, com pilotos automáticos de rumo e profundida-de. Os sistemas de computadores subma-rinos também podem guiar os torpedos automaticamente até o alvo, a partir de informações obtida através de sensores localizadas nos cascos.

     No item sonares, ressalta-se o sistema passivo que, através de 200 hidrofones espalhados pelo casco, permite que os tripulantes escutem os ruídos de outras embarcações, baleias e peixes, a até 50 km de distância, e os localize.

     Os submarinos brasileiros estão integra-dos, ainda, no sistema de Posicionamento Global (Global Position System - GPS), recebendo de satélites americanos suas coordenadas (latitude e longitude). Também possuem periscópios de 12 metros, com câmeras de vídeo e foto acopladas.

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 * Republicado da RMB 4T/96